2021: ano para Tupi e Baeta voltarem à elite do Mineiro?

  Caros e caras, estreando este espaço, resolvo me inspirar na pergunta que sempre – ou quase sempre – aflige o torcedor de Juiz de Fora: o que será dos clubes da cidade? Bem, tendo no Módulo 2 do Campeonato Mineiro o único torneio a disputar na temporada, é fácil traçar um objetivo comum para Tupi e Tupynambás: conquistar o acesso para voltar à elite do futebol de Minas Gerais.

  Mas a partir daí as coisas se complicam.

Tupynambás não embalou em 2020 (foto: divulgação)

  Olhando em retrospecto, a temporada de ambos os times em 2020, mesmo pesando – e muito – a pandemia que se abateu sobre todos, foi decepcionante para o torcedor.

Leão sem rugido

  O Baeta apostou em um time de veteranos, tentou remendos no meio do caminho, cumpriu a cartilha de troca de treinadores e, após um dos episódios bizarros na volta do Estadual, acabou jogando partida decisiva na casa do adversário e terminou rebaixado no Mineiro.

  Um suspiro de esperança veio do trabalho desenvolvido na Série D que, embora tenha sido de altos e baixos, conservando a extrema dificuldade de se impor em casa, pode ter dado um Norte ao Leão do Poço Rico. Mas decepcionou pelo clube não ter conseguido brigar em pé de igualdade com os rivais pelo acesso.

Galo sem espora

  O Carijó não teve um ano menos claudicante, apesar de participar de apenas uma competição em 2020. Com poucos recursos, o time montado para o Módulo 2 foi se formando em cima da hora, por conta da disputa eleitoral no clube, que só acabou na Justiça.

Montado e remontado, Carijó não avançou

  Castigos e insucessos em casa – olha eles aí de novo – marcaram a primeira parte da competição, levando a equipe para a beira da degola. Após a parada do Estadual, um Alvinegro remontado patinou, quase foi parar na lanterna, mas terminou por afastar o risco de rebaixamento. Mas, decepcionou por nunca ter se colocado como concorrente real à vaga no quadrangular que definiu o acesso.

E agora?

  O saldo positivo – com ou sem trocadilho, fique à vontade – do ano acabaram sendo as finanças. Mantendo austeridade extrema, fator limitante muitas vezes, o Tupynambás saldou dívidas, evitou o leilão de sua sede no Poço Rico e começa 2021 ‘zerado’. Com a ajuda de um parceiro, o Tupi vem quitando passivos judiciais, e celebrou o fim de 2020 sem dever atletas, comissão e fornecedores.

  Ambos os times passam por processos de reestruturação física. O Tupi em breve deve iniciar, através da parceria com a construtora Rezende Roriz, as obras de seu novo centro de treinamentos. O Baeta termina nos próximos meses obras que realiza em sua sede desde o fim de 2019. 

  Com investimento escasso, ainda mais após o descomissionamento de departamentos de marketing em possíveis apoiadores e patrocinadores, carijós e alvirrubros terão que se superar para levantar dinheiro e montar o time. Já que o início da Segundona do Estadual é ventilado para  o segundo fim de semana de abril, esse processo tem pouco tempo para se consolidar.

Obstáculos

  Por isso, as perspectivas não são das melhores, em termos práticos, para os clubes locais em 2021. Estou cético quanto às chances de ambos ou um dos dois conseguirem voltar à elite do Mineiro. E digo o porquê…

  Nesta temporada, o dinheiro deve minguar. Os clubes estarão ainda afetados pelo impacto da pandemia, lidando com questões de reestruturação dentro e fora de campo. Novamente, não poderão contar com o apoio do torcedor nas arquibancadas – mesmo que seja só daqueles 100 ou 300 fiéis.

  Os obstáculos a serem ultrapassados para os juiz-foranos buscarem o título e/ou o vice-campeonato – somente os dois primeiros colocados do quadrangular final do torneio sobem – do Módulo 2 parecem gigantes. E vem daí meu ceticismo.

Athletic, vice do Módulo 2 2020 (foto: reprodução/Facebook)

Exemplo

  Mas, Tupi e Baeta podem virar esse jogo, mesmo com recursos escassos. E não precisam ir longe para terem exemplo. É só procurar na região mesmo. Apostando em gestão profissionalizada, trabalho de base ajustado e estrutura funcional, ainda que modesta, o Athletic, de São João Del Rei alcançou sucesso e disputará a elite do Mineiro em 2021.

  Que os clubes juiz-foranos possam também entrar nesse caminho. Costuma-se dizer que sem dinheiro não se faz futebol. Mas, sem gestão profissional de credibilidade não se atrai mais dinheiro. Em um ano potencialmente de vacas magras, ela é mais importante do que nunca!

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Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos   

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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