Que a fase é boa, você sabe e os números confirmam. Onze jogos sem perder, liderança do grupo B e classificação para as quartas de final da Série C assegurada de forma antecipada. Nitidamente, um dos fatores que contribuem na campanha do Tupi na Terceirona é a amizade entre o grupo. Com treinamentos começando sempre com o tradicional “bobinho”, os jogadores aproveitam o clima descontraído da atividade para realizar brincadeiras e ganhar intimidade. Daí vem os apelidos.
Com pouco tempo ou não de casa, muitos são os atletas já apelidados da equipe juiz-forana. Os mais brincalhões? Léo Salino, Ademilson e Maguinho são os mais citados. Os três comandam a farra nos vestiários e ajudaram a revelar alguns nomes que seus companheiros são carinhosamente chamados. “O mais descontraído é o Salino, que fala besteira pra caramba. Ele é o cabeça de coração de galinha”, antecipa Maguinho, sorrindo.

Entre os considerados titulares, as brincadeiras começam com a dupla de zaga. O capitão Fabrício Soares é chamado de “sobe e desce” por conta da trajetória da bola em um gol marcado pelo xerife contra o Cruzeiro. Já Wesley Ladeira também atende, ao menos a Léo Salino, por “burucutu”. O motivo, segundo o volante do Tupi, seria o número de chutões que o sério zagueiro dá durante as partidas.
O lateral-direito e meio-campista, Henrique, é chamado de “burro”, remetendo ao personagem do filme Shrek. Na onda dos desenhos, também sobra para Gustavo. O volante carijó foi chamado por seus companheiros de Frajola. “Só bote errado”, brinca Ademilson, explicando.
Ademilson, é claro, não poderia estar fora do jogo. Além de “mito”, como torcedores e seus próprios companheiros o chamam, o atacante também é tratado por outro nome. “O Adê é o ‘fantasma’ também. Aparece de repente, do nada”, brinca Salino, que também apelidou Douglas, recém chegado ao grupo: “Chamo o Douglas de tanque”, contou. O de Genalvo é simples e carinhoso: Gegê.
Mc Colibri e Salsicha. Para quem não conhece, apresentamos os apelidos dos goleiros Neguete e Gonçalves, respectivamente, por motivos obviamente estéticos. A brincadeira tem sua hora e é importante para a equipe dentro de campo também: “Ajuda bastante no dia-a-dia. Você brinca mais com seu companheiro e passa a conhecer ele melhor, o que melhora na relação dentro de campo também. O entrosamento acaba sendo ainda maior, então é importante”, opinou Maguinho.

Viagens
Rumo às partidas fora de casa, o ambiente segue leve. No ônibus, há a galera do fundão e os mais reservados. “Nas viagens geralmente é cada um no seu canto. Um vê filme, tem muitos evangélicos no grupo que ouvem suas músicas também. E o pessoal do fundão gosta de brincar mais, falar sobre o jogo. Normalmente sou eu, o Salino, Henrique, Adê, Genalvo e Ladeira”, falou Maguinho.
Na hora das refeições, dois nomes foram os citados como os que mais comem: Gonçalves e Raphael Toledo. O goleiro foi maioria nos votos, mas o “Toledinho” não fica para trás, de acordo com Salino. “Nosso time brinca muito, eu mesmo sempre faço brincadeiras o tempo todo, chamo o pessoal de ‘ruim de bola’ e aceito que façam comigo. Isso mostra um pouco da nossa amizade e dentro de campo tudo flui melhor”, revelou Salino.
“O melhor do Brasil”
Há sete anos no Tupi, Adeil Souza é pura simpatia. Esforçado, o profissional carijó responsável por distribuir frutas e bebidas à delegação do Alvinegro juiz-forano durante os treinos e jogos tem um apelido por sua dedicação e carisma: “o melhor do Brasil”. Humilde, Adeil já tem a resposta na ponta da língua ao ser elogiado por jogadores e comissão técnica: “Não lembro de quando me chamaram assim pela primeira vez ou como pegou o apelido, mas sempre brinco dizendo que eles é que são os melhores do Brasil. Eu sou o segundo melhor”.
Se o momento é bom dentro de campo, os que acompanham o carijó no dia-a-dia têm a certeza de que o ambiente fora das quatro linhas serve de base para que as coisas passem a dar ainda mais certo em campo.

Texto: Bruno Kaehler
Fotos: Toque de Bola