Romário dá razão a Sheik, lamenta vergonha do futebol brasileiro e aposta na lei de responsabilidade fiscal

Cansado, mas alerta. Assim o Toque de Bola encontrou Romário, na noite de quinta-feira, 25, na Estação São Pedro, em Juiz de Fora, um dos maiores – apesar do apelido de Baixinho – atacantes de todos os tempos do futebol mundial, hoje Deputado Federal e candidato ao senado pelo estado do Rio de Janeiro.

Convidado do também deputado federal Júlio Delgado, Romário estava visivelmente cansado, depois de uma longa peregrinação no mesmo dia – até o início da tarde em diversas localidades do estado fluminense e depois em Juiz de Fora, com direito até a um comício no bairro Santa Luzia.

Mesmo com a fisionomia demonstrando cansado, Romário atendeu a imprensa e em seguida recebeu uma homenagem de representantes de clubes e de futebol amador da cidade, antes de deixar o local.

O Toque de Bola fez duas perguntas a um atacante nas quatro linhas que promete continuar atuando como um atento marcador das mazelas dos dirigentes do futebol nacional.

 Toque: Sobre a sua atuação como deputado, e agora com a possibilidade de uma vaga no senado, como avalia o que pode ser feito especificamente pelo esporte brasileiro, daquilo que você pensava em fazer quando se candidatou:

Romário: Sobre esporte e futebol especificamente, está para ser votada no Congresso Nacional uma lei de responsabilidade fiscal, que resolve parcialmente um dos problemas dos clubes. Financeiramente ela resolve praticamente a vida de todos, porque os clubes que devem vão ter a oportunidade de pagar essa dívida mais ou menos em 300 meses e poderão organizar de novo sua saúde financeira. E também dará responsabilidade a alguns órgãos como a CBF, os próprios clubes e as federações. Acho que até o final do mandato essa lei já deverá ser votada, depois acredito que ela já vai para o senado. Hoje eu estou na luta para entrar para o senado, e espero poder continuar no senado, fazendo este trabalho fiscalizador e combativo que venho fazendo como deputado. E consequentemente novos projetos direcionados ao esporte em geral, e muitos relacionados ao futebol, já que eu vim do futebol, eu vou implementar em Brasília sempre em prol do beneficio, de uma melhora, porque o que nós estamos vendo aí no esporte em geral e principalmente no nosso futebol é muita gente enriquecendo rapidamente e muita gente sem conhecimento de administração, administrando órgãos direcionados e ligados diretamente ao esporte, principalmente ao futebol, o que não tem dado muito resultado. E a gente está sofrendo com isso, à gente está passando isso aí que a gente tem passado: vergonha com uma Copa do Mundo, fora de campo e principalmente dentro de campo.

Mesmo cansado, Romário conversou com o Toque de Bola e encontrou motivos para sorrir em Juiz de Fora
Mesmo cansado, Romário conversou com o Toque de Bola e encontrou motivos para sorrir em Juiz de Fora

 Toque: Você acredita que sua postura sempre crítica nos comentários, com o peso que você tem, pela sua carreira e depois como deputado, contribuiu para manter essa discussão, essa cobrança em relação aos dirigentes, para questionar os desmandos do futebol brasileiro? Tivemos recentemente o caso do Emerson, jogador do Botafogo, que declarou “A CBF é uma vergonha”…

Romário: Há quatro anos, quando eu fui pedir votos para os meus eleitores, eu passei para eles que eu seria a voz deles em alguns segmentos que fazem parte da minha vida: esporte, futebol, pessoas com deficiências e outros. E é isso que eu tenho feito e é isso que eu vou continuar fazendo no final deste mandato e, se Deus quiser, nos próximos anos como senador. É lógico que um político como eu, pelo que eu representei no esporte e pela credibilidade que eu tenho, minha voz ela ecoa, graças a Deus positivamente nestes segmentos. Em relação ao Emerson, eu não estou no dia a dia do Botafogo, não conheço o Emerson pessoalmente, mas o que posso afirmar é que ele tem 100% de razão. A CBF realmente é uma vergonha.

 

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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