Exclusivo: advogados de Adê detalham reivindicações e revelam ação de despejo

O casamento entre Ademilson e o Tupi está terminando? Quais as razões que levaram o principal ídolo da torcida nos últimos anos a entrar na justiça contra o clube?

O Toque de Bola apresenta neste domingo, 8, entrevistas exclusivas, feitas durante a semana com o próprio atacante, os advogados do atleta e o advogado do Tupi.

Ademilson, durante treinamento em Santa Terezinha: destino incerto
Ademilson, durante treinamento em Santa Terezinha: destino incerto

 

Entrevista advogados de Ademilson

Na tarde de quinta-feira, 5, o portal Toque de Bola conversou com os advogados de Ademilson, Lucas Silva de Oliveira e Flávio Filgueiras Nunes, representantes do atleta na ação judicial contra o Tupi, que esclareceram as solicitações do ídolo carijó, revelando, ainda, que o atacante corre risco de ser despejado de sua casa pelo não pagamento do aluguel, de responsabilidade do clube juizforano. O jogador reclama na Justiça do Trabalho dívidas da agremiação desde 2012. Além disto, há um pedido de pensão vitalícia em virtude de uma hipertensão que, segundo o atleta, teria sido causada em decorrência de infiltrações a que o atleta foi submetido para estar em campo pelo time.

“O atleta tem um imóvel aonde ele reside com sua família que é custeado pelo clube e o clube não vem pagando os alugueis. Ele sofre uma ação de despejo em razão do não cumprimento por parte do clube dos compromissos tanto no pagamento do aluguel, quanto nos salários. Então a situação dele é totalmente adversa e certamente acaba prejudicando sua tranquilidade para o desempenho de seu trabalho, tudo fruto de uma desorganização financeira por parte do clube”, externou Nunes.

Advogados de Ademilson, Lucas Silva de Oliveira e Flávio Filgueiras Nunes receberam o Toque de Bola para detalhar ação movida pelo jogador contra o clube carijó
Advogados de Ademilson, Lucas Silva de Oliveira e Flávio Filgueiras Nunes receberam o Toque de Bola para detalhar ação movida pelo jogador contra o clube carijó

Entenda o caso em entrevista exclusiva dos advogados de Ademilson ao Toque de Bola:

A ação

Flávio Filgueiras Nunes explicou, detalhadamente, a situação de Ademilson: “Não podemos trazer maiores detalhes por questões éticas que a própria legislação que regulamenta o exercício da Advocacia nos impede. O que podemos trazer é que um dos pleitos do atleta é com relação a pagamentos em atraso. O atleta teve seu vínculo iniciado em 2011, que vai até 30 de novembro de 2015, e conta com vários pagamentos salariais em atraso desde 2012. De 2012 para hoje, o clube, de forma ordinária, vem atrasando parcelas salariais que vêm comprometendo a sua renda. Desde 2011 não pagam o 13º salário, as férias como terço constitucional, bem como o fundo de garantia. O jogador não recebe o salário de forma integral desde novembro de 2014 e os salários referentes a janeiro e fevereiro de 2015 também não foram quitados. O atleta, inclusive, por proteção da Lei Pelé, encontra-se em uma situação de que caso ele queira possa pedir sua desvinculação à entidade. A Lei Pelé traz duas proteções ao atleta: a primeira é a que ele pode se negar a competir (Art. 32) e a segunda é que ele pode pedir a desvinculação (Art. 31). Só que nenhuma dessas medidas foi solicitada pelo Ademilson, pelo contrário, ele não quer deixar de competir e de cumprir seu contrato com o clube, por razões de própria identidade com a torcida e agremiação”.

A dívida

Sem poder divulgar valores, Nunes confirmou que o atleta não recebeu pagamentos do Tupi referentes ao 13º, férias e fundo de garantia desde 2011: “Ele tem um valor contratual que em alguns meses vem sendo pago de forma parcial e em alguns não foi pago. Tudo isto está detalhado no processo. O que posso mencionar é que existem valores em aberto dos anos de 2012, 2013, 2014 e 2015. O percentual varia de ano para ano. Com relação ao 13º, férias e fundo de garantia, posso garantir que desde 2011 não houve pagamento por parte do clube. Com relação a valores, não temos a autorização e até por questões de ética não podemos informar”.

Defesa do Tupi

Tendo aceso aos documentos utilizados na defesa da agremiação juizforana, Nunes relatou que a falta de comprovantes de quitação acaba fortalecendo o requerimento de Ademilson.

“Nos manifestamos na data de ontem (quarta, 4) referente à defesa apresentada pelo Tupi e ela é um instrumento de confissão. Há uma confissão por parte da diretoria que o clube não realiza os pagamentos referentes a todo este período. O que fica sendo debatido é a questão do problema de saúde do Ademilson e com relação a natureza das verbas, porque existe também um debate referente a uma licitude ou não de um contrato de imagem e qual seria o valor dele. Mas existe o débito, isso é confessado na própria peça de defesa e pela ausência de documentos na defesa da agremiação”.

Pensão vitalícia e perícia

Um dos assuntos mais polêmicos da ação de Ademilson foi explicado, inicialmente, por Nunes: “Precisamos deixar algumas coisas esclarecidas. Talvez não tenha sido recebido de forma correta por boa parte da imprensa e veículos do que se trata essa pensão. O atleta, quando se apresentou em 2011 para o clube, estava em perfeitas condições físicas e essa condição física dele é atestada anualmente antes do início de cada temporada. O atleta, em 2012, teve uma primeira contusão, e em 2014 veio a sofrer uma segunda lesão. Inicialmente foi uma contusão no joelho e depois no tendão de Aquiles. Elas geraram dor, dificuldade na recuperação e o clube, necessitando de retorno imediato, propôs que ele se submetesse à infiltrações, o que acaba violentando a saúde dos atletas apesar de ser prática comum no meio desportivo. Desde que ele iniciou esse tratamento com infiltrações acabou desenvolvendo uma hipertensão. Casos e estudos clínicos, especialistas na área médica desportiva podem até esclarecer melhor que existe uma relação entre infiltração e hipertensão. Apesar de todos nós na sociedade estarmos sujeitos a uma hipertensão, isso não é comum no meio atlético, principalmente para quem tem uma alimentação balanceada e uma vida regrada como no caso dos atletas. E esse quadro acabou sendo desenvolvido após o tratamento com infiltrações. Isso trouxe um prejuízo à saúde do Ademilson que ele vai carregar para o resto da sua vida. O atleta está caminhando para o final de seu ciclo como jogador e isso vai trazer consequências na sua vida”.

Logo, chegou-se à conclusão de que o pedido de pensão vitalícia era de direito do atleta: “A gente pede que o clube traga uma reparação a este dano que ele causou ao submeter o atleta. Essa reparação será através de uma resposta financeira ao longo da sua vida pós fim de carreira e isso acontece em qualquer relação laboral. Se um trabalhador é submetido a uma doença ocupacional ou a um acidente e fica comprovado que o responsável é seu empregador, ele tem direito a uma reparação que além do dano moral, é de uma pensão vitalícia para que ele possa amenizar as dores sofridas em razão daquela doença que ele adquiriu. Como o Ademilson é um trabalhador como outro qualquer, a gente pede sim que seja feita essa reparação caso fique comprovada essa relação entre as infiltrações e a hipertensão”, esclareceu.

Diretamente ligado à decisão final do Juiz está o resultado da perícia. De acordo com Nunes, não há projeção de quando as análises serão finalizadas, mas o profissional já foi definido: “Já houve a designação de um perito e ele tem inicialmente 20 dias para marcar um exame. Então nesse período teremos provavelmente a convocação do Ademilson para se submeter a exames e não consigo precisar quanto tempo vai demorar esse trabalho porque envolve a análise técnica do próprio profissional”, elucidou.

Futuro

Dois débitos ressaltados por Nunes podem gerar ainda mais problemas ao atleta: “É importante destacar que o clube não vem honrando com os compromissos junto ao fundo de garantia e INSS, então se o atleta amanhã for afastado por problemas de saúde não consegue nem receber benefício previdenciário porque não há recolhimento por parte do clube. Então certamente em um futuro próximo isso vai gerar outro problema para o atleta, que ao encerrar sua carreira, ainda que fique constatada sua incapacidade, não conseguirá receber benefícios porque o clube não realiza os recolhimentos previdenciários”.

Acordo amigável

A segunda audiência está marcada para 2 de setembro. O acerto amistoso entre as partes, segundo Nunes, ainda é possível e procurado pelo atacante: “Nada impede que a gente resolva de forma amigável. Teve uma primeira oportunidade, mas o clube não apresentou qualquer tipo de proposta, mesmo sabendo que é devedor de direitos trabalhistas. O atleta aguarda propostas e não se recusa a fazer um acordo, até porque sua intenção é a de continuação no clube”, finalizou Nunes.

 

Texto: Bruno Kaehler

Foto: Toque de Bola

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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