Cloves Santos desabafa e projeta: “Hoje acredito em uma renovação próxima de 70%”

Antes de apresentar oficialmente o novo treinador do Tupi, Leston Junior, o vice-presidente do Conselho Gestor carijó, Cloves Santos, de volta ao comando do futebol do clube, realizou um pequeno desabafo respondendo, inicialmente, críticas oriundas de imprensa e torcedores, condenando a tabela do Mineiro para o Alvinegro juizforano, explicando a mudança no comando do time e elogiando o trabalho de Felipe Surian, lembrando da folha salarial limitada da equipe, principalmente no primeiro semestre.

“Pela tabela e investimento que fizemos, somaríamos 16 pontos nas nossas contas, o que ainda pode ser conquistado. O Campeonato Mineiro hoje para o Tupi, pela realidade que tem na Série C, é um campeonato em que entramos realmente para não cair. Não tenho vergonha de dizer que entramos para não cair. Estamos com um investimento modesto, sem desmerecer os atletas que estão aí. Nossa folha com certeza é uma das menores e chega a ser um terço de grande parte dos clubes do interior. Por isso deixo o Felipe em alto tom. Fez um bom trabalho com os investimentos que fizemos”, começou, Cloves, passando, posteriormente, a falar do planejamento para a Série C.

“Para o segundo semestre, obviamente vai haver um investimento maior. Isso foi muito claro sempre, não é novidade para ninguém. Nosso planejamento era gastar pouco no Mineiro, para não cair mesmo. Às pessoas que estão criticando e criando essa confusão toda, vamos lembrar que o Tupi nunca esteve na zona de rebaixamento nem sofreu riscos desesperados que estão falando. Sempre se manteve bem classificado, mesmo com uma das piores tabelas do Mineiro. Você pegar três dos times considerados grandes nas cinco primeiras rodadas é covardia. Ir para Poços de Caldas depois da partida contra o Alecrim é covardia. Quando o Cruzeiro precisou de uma semana, teve seu jogo adiado. Quando o Tupi precisou, não quiseram mudar a data. O Mineiro ainda é organizado para Atlético, Cruzeiro e América. Isso é o Cloves que está dizendo e não a diretoria do Tupi. É uma opinião minha. O Mineiro só penaliza times que têm segundo semestre, caso de Tupi e Tombense”, complementou.

Cloves quer o sexto lugar no Campeonato Mineiro antes de focar na Série C
Cloves quer o sexto lugar no Campeonato Mineiro antes de focar na Série C

Mudança no comando e contrato

Ao ser questionado sobre os critérios para a escolha de Leston Junior, Santos não titubeou e admitiu interesse em um ex-carijó: “Perfil. O perfil do Leston vai muito naquilo que a gente gosta de trabalhar e a experiência também. Não vimos sucesso nas últimas apostas que fizemos e acompanhamos o Leston há bastante tempo. Em relação ao Paulo Campos, que todos perguntam, também estava cotado, mas entendemos que a experiência do Leston no ano passado pelo Madureira pesou muito para a gente. Acreditamos muito nele como treinador e tenho absoluta certeza de que fará um grande trabalho”.

O acerto entre Tupi e Leston ainda não está finalizado: “Acertamos para ele poder dirigir nesses 15 dias e deixamos já uma previsão do que vai ser a Série C, devido à emergência que tínhamos. Depois do jogo contra o Guarani, que para mim é uma decisão, vamos sentar e acabar de ajustar isso, mas ele sabe o patamar que trabalhamos. Foi tudo muito claro e não é a primeira conversa que tenho com ele. A princípio vem para a Série C. Não vou esconder que nosso objetivo era manter o Felipe (Surian) no Mineiro todo, mas é importante que ele venha nesse momento também e que possa dar uma nova oportunidade para atletas que ainda não renderam o esperado e podem surpreender”, revelou Santos.

Investimento menor no Mineiro e verba da Copa do Brasil

É de conhecimento de todos que acompanham o Tupi que a maior parte da verba destinada a contratações e salários do elenco é utilizada na terceira divisão do Campeonato Brasileiro. Santos explicou a diferença de valores nas folhas salariais do Carijó para outras equipes do interior, inclusive.

“Temos nosso orçamento e poderíamos ser mais ousados em competir com times do interior que fazem folhas, ao meu modo de ver, astronômicas para o Campeonato Mineiro. Vemos isso com uma característica de clube que não disputa dois campeonatos. Equipes que fazem futebol nos 12 meses devem ser mais comedidas no investimento. Então, quando a gente fala essa questão de economia, é porque o que algumas equipes têm de receita para quatro meses, nós temos para 12. Temos ainda que pensar em logística, transporte, que é muito caro, e sabendo que historicamente só temos renda contra Cruzeiro e Atlético. Para o segundo semestre, terminam os Estaduais, a oferta de jogadores é muito maior e, com um pouco mais de dinheiro no caixa, podemos formar uma equipe mais competitiva”, explicou.

Com a classificação para a segunda fase da Copa do Brasil, o Tupi teve direito a R$200 mil como prêmio. O Toque de Bola questionou o dirigente do Tupi sobre o destino do montante, que, com ressalvas, novamente não hesitou na resposta: “O que recebemos na Copa do Brasil é destinado à Série C. Investimos boa parte desse dinheiro no custeio do Mineiro, já que sempre acontecem problemas na renovação de contrato,  e pretendemos usar essa verba para a Série C, mas a líquida. Todo mundo fala dos R$200 mil, mas isso é bruto. Devem ser descontados impostos e uma série de outros fatores que vêm diminuindo (o valor), mas tentamos priorizar o máximo pra poder entrar no segundo semestre com algum recurso em caixa, o que acredito que seja um diferencial na Série C”.

Reformulação no elenco para a Terceirona

Por fim, o diretor do Tupi assumiu que o grupo deve passar por significativa reformulação para a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro: “Hoje acredito em uma renovação próxima de 70%. Alguns jogadores se destacaram muito no campeonato e falo os nomes sem problema: o Glaysson está fazendo um Estadual muito interessante, o Osmar também, o Genalvo e o Fabrício, para mim, não apenas dentro de campo, mas pela liderança que possuem fora dele também são jogadores importantes e o Daniel Morais reconhecidamente tem muito potencial. Outros ainda acho que estão devendo, mas com essa mudança podem surpreender. Acredito em muitas surpresas. Imaginávamos que 50% pelo menos do investimento que fizemos no Mineiro pudesse ficar, mas futebol não é uma ciência exata”.

 

Texto: Bruno Kaehler

Foto: Toque de Bola

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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