O árbitro Alex Gervásio Apolinário, de 36 anos, que foi agredido no último domingo, 22, no campo do Esporte Clube São Carlos durante a partida entre Super 20 e Fiorentina na Copa JF de Futebol Amador pela categoria adulta, garantiu que continuará apitando. O presidente da Liga de Futebol de Juiz de Fora (LFJF), Paulo Durães, concedeu uma entrevista coletiva sobre o episódio na manhã desta quinta, 26, no Cesporte, e anunciou quais atitudes serão tomadas pela Liga para tentar evitar situações semelhantes: “Estamos pensando em até pedir a ficha policial dos atletas no ato de inscrição na competição para coibir essas atitudes violentas”, revelou.

Durães: “Não garanto as próximas rodadas”
“Assim que tomamos conhecimento do fato, o primeiro sentimento foi de repúdio. Quando se pensa em um jogo de futebol, vem a nossa cabeça diversão, e não agressão. Foi uma ação totalmente sem sentido e covarde, porque foi pelas costas. Então de imediato, suspendi a rodada deste fim de semana e, por enquanto, não garanto as próximas, até que a gente resolva a situação nesse sentido de segurança. Sabemos que a situação é muito caótica em questão de relacionamento entre pessoas, mas a gente precisa preservar a integridade física dos árbitros porque não é a primeira vez que acontece. E pode acabar chegando um momento em que passe de uma agressão, e isso poderá trazer uma repercussão muito ruim não só para a entidade, mas também para a cidade”, declarou Paulo Durães.
Policiamento é solicitado
O presidente da Liga explicou que a Polícia Militar é sempre solícita quando chamada, mas que acredita não ser possível que tenha uma viatura em cada campo de jogo pelo número de contingente da PM: “Essa situação nós encontramos há muito tempo. A Liga de Futebol de Juiz de Fora tem 97 anos, a Copa tem 100 equipes, 2500 participantes da competição, 35 árbitros no quadro da liga, 30 a 40 campos usados e 15 oficiais da prefeitura. Sempre pedi a ajuda da Polícia Militar para fazer a segurança e nunca conseguimos. Mas entendo que não é porque eles não queiram, e sim pela falta de contingente, pois são muitos campos espalhados pela cidade. Nossa reivindicação será para que pelo menos nos bairros onde tenha um posto policial, de vez em quando, nos dias que ocorrerem os jogos, tenha uma ronda próxima aos locais das partidas para tentar coibir e inibir essas atitudes de violência”, disse.
Os casos de violência nos campos de várzea estão aumentando, de acordo com o dirigente. Paulo Durães relatou outros casos que ocorreram e afirma que não são casos específicos da Copa JF: “Há umas três semanas, no campo do Linhares, um cidadão tentou enforcar um árbitro. Há quatro semanas, um membro de uma comissão técnica ameaçou colocar fogo no carro de um árbitro com ele dentro, no bairro Milho Branco. E há sete meses, em outro campo de Juiz de Fora, no Guaporé, um árbitro foi atingido nos dois olhos e quase ficou cego. Então fica claro que não é de uma comunidade especifica, nem da Copa JF. Infelizmente está podendo acontecer em qualquer lugar”, comentou.

Paralisação é último recurso
Sobre a possibilidade de paralisação da Copa, Paulo afirma que esta é a última possibilidade e destaca que muitas pessoas são envolvidas nos jogos: “Estamos no prenúncio de tudo. A paralisação da Liga tem que ser a última decisão a ser tomada. Porque por trás dos jogos tem todo um comércio, transporte, muita gente envolvida. Eu não quero que os árbitros fiquem nesse contexto como coadjuvante. Eles são trabalhadores, muitos estão ali para sustentar sua família ou complementar sua renda trabalhando honestamente. Por isso é que algo tem que ser feito, para que não cheguemos ao ponto de ter que parar com os jogos”, conta.
Atitudes contra o agressor
Durães afirmou que a Liga dará todo respaldo jurídico a Alex contra Vitor (o agressor não teve seu nome completo revelado na coletiva por opção da entidade) e que o julgamento em primeira instância, segundo o regulamento da Liga, já foi feito e a punição é de 810 dias. “Primeiro vamos tomar as providências com o cidadão que agrediu o Alex. Desportivamente e juridicamente. Estamos pensando em até pedir a ficha policial dos atletas no ato de inscrição na competição para coibir essas atitudes violentas. Pautado no regulamento da Copa JF, além da eliminação da equipe Super 20 da disputa, o agressor ficará afastado por 810 dias por ter infringido o artigo 25, itens 1 e 2, mau comportamento e atitude anti desportiva, o artigo 26, item 2: ameaçar e ferir a moral dos participantes, e item 7: agredir um árbitro. Juridicamente, nós fizemos o boletim de ocorrência, o termo circunstancial de ocorrência, exame de corpo de delito e agora vamos para o âmbito de danos morais”, explica.
“Queremos deixar registrado o incentivo de vocês do Toque de Bola e do Panathlon Club de Juiz de Fora com o esporte amador. É importante demais ter um veículo de comunicação como o Toque de Bola que está inserido no esporte amador”, ressaltou Durães.
(Nota da redação: o editor do Toque de Bola, Ivan Elias, é associado do Panathlon Club de Juiz de Fora).

Alex Apolinário: “Vou continuar apitando”
O árbitro agredido, Alex Apolinário, sofreu uma fratura no osso frontal lateral da face. Ele contou como tudo aconteceu: “O fato é inexplicável. Aos 25 minutos do segundo tempo, um atleta da Fiorentina, que era a equipe adversária, caiu no gramado por estar lesionado e eu paralisei o jogo. Então, os jogadores do Super 20 começaram a reclamar muito e me xingar, eu expulsei o Vitor e me virei para olhar o atendimento. Nisso ele me acertou um soco no rosto pelas costas”, conta.
Alex está no quadro de árbitros da Liga há cinco anos e afirma que não perdeu a motivação para continuar apitando os jogos de futebol. “Desde criança eu vivia nos campos de futebol, trabalhei 12 anos na minha cidade, Mar de Espanha, com o futebol e então conheci a Liga e parti para a arbitragem. Vou continuar apitando. Isso serviu de incentivo para me adaptar ao esporte, voltar aos campos e fazer o meu trabalho. Espero que as pessoas também tenham um pouco mais de consciência, porque nosso objetivo é fazer o esporte crescer. E que esses vândalos possam ser excluídos da nossa convivência”, concluiu.
Texto: Guilherme Fernandes
Fotos: Toque de Bola