Clima tenso dentro e fora de campo no Guarani. O próximo adversário do Tupi na Série C está na sétima posição no grupo B com apenas um ponto conquistado em dois jogos. Após a derrota para o Londrina, um grupo de torcedores protestou contra o técnico Ademir Fonseca. Além da crise em campo, o Bugre está com os salários de maio atrasados e ainda não tem uma definição sobre a venda do Brinco de Ouro.
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Começo complicado
No primeiro jogo pela Série C, diante do Guaratinguetá, as duas equipes esperavam começar com o pé direito, mas o que se viu foi uma atuação fraca dos dois lados. O trio veterano do Guarani formado por Nunes, Diego Clementino e Fumagalli articulou as ações ofensivas dos visitantes e, em pênalti sofrido por Nunes, Fumagalli abriu o placar. O goleiro Flaysmar impediu que o resultado aumentasse e Jackson, no fim do primeiro tempo, empatou o confronto.
Diante da sua torcida na segunda rodada, o Bugre foi com tudo para cima do Londrina. Mas o começo do jogo foi melhor para o Tubarão, que marcou com Zé Rafael logo aos 10 minutos do primeiro tempo. Na segunda etapa, o Guarani continuou pressionando, mesmo com um jogador a menos, já que o volante Serginho foi expulso. Aos 37, Fumagalli conseguiu vencer o goleiro adversário para empatar, mas faltando dois minutos para o fim do tempo regulamentar, o zagueiro Dirceu ganhou de cabeça na área e marcou o segundo dos visitantes, jogando um balde de água fria nos donos da casa.

Fumagalli: “jogo 200”
Dentro de campo, o Bugre deposita suas esperanças no experiente Fumagalli, meia que já atuou por diversos clubes do país e hoje, aos 37 anos, é a referência técnica da equipe e na partida diante do Tupi completará a marca de 200 jogos com a camisa do Guarani. Nesse momento de crise, o capitão do time sempre é requisitado para as entrevistas e tenta passar tranquilidade e dar confiança ao grupo: “A gente tem paciência, força. Ficamos tristes, irritados em certos momentos, e acabamos desabafando, mas tem que ter tranquilidade. Futebol muda muito e rápido, de uma semana para outra. Nós, os mais velhos, temos que passar confiança a quem está chegando. A gente acredita que uma vitória contra o Tupi nos dê confiança. Acredito neste grupo. Temos condições de melhorar. Precisamos trabalhar mais, ter mais dedicação, melhorar entrosamento para a gente buscar a reabilitação o quanto antes”, disse ao portal Globoesporte.com.

Fase “artilheira”
Na fase mais goleadora da carreira, Fumagalli supera todos os atacantes do atual elenco. É o artilheiro do Guarani em 2015: oito gols em 19 jogos (média de 0,42 por partida). O desempenho é o melhor do meia em todas as passagens pelo Bugre – como comparação, o jogador precisou de metade das partidas para igualar a marca de 2014.
Mais veteranos
Além de Fumagalli, outros veteranos atuam como titular no Guarani. O zagueiro Gladstone, ex-Cruzeiro, de 30 anos e o atacante Diego Clementino, de 34 anos, que atuou no Campeonato Mineiro de 2015 pelo Villa Nova, são peças importantes no esquema do time campineiro.
Já o goleiro Neneca, ex-América-MG, e o atacante Nunes, ex-Vasco, que também compunham o elenco do Guarani, estão sendo negociados, em função do salário – considerado alto – da dupla.

Situação do Brinco
O clube passa por uma grave crise financeira e o Estádio Brinco de Ouro da Princesa foi à leilão para pagamento de dívidas no dia 30 de março. A Justiça do Trabalho aceitou a única oferta do leilão feita pelo grupo gaúcho Maxion, que se dispôs a pagar 30% do valor total (R$ 105 milhões) à vista – algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Contudo, o grande entrave seria a compra do terreno para a construção. A oferta prevê um aporte financeiro de R$ 300 mil mensais por um ano e meio. Este valor também poderia ser usado para a compra do espaço para a construção do novo complexo esportivo para o Guarani com ajuda da prefeitura. A juíza Ana Claudia Torres Vianna, da Justiça do Trabalho, assumiu um compromisso de destinar parte do valor do arremate (R$ 105 milhões) para a compra de um terreno e do auxílio mensal.
No dia 19 de maio, porém, o grupo Magnum protocolou uma oferta no Tribunal Regional do Trabalho no mesmo valor de R$ 105 milhões, com a diferença de que em troca do Brinco de Ouro, o Guarani receberá um estádio com capacidade mínima de 20 mil lugares, um clube social e um centro de treinamentos. Ocorre que para o Bugre possa aceitar esta oferta, é necessário a Justiça do Trabalho anular o leilão do dia 30 de março.
Enquanto esta situação não se resolve, o Guarani continua mandando seus jogos no Brinco de Ouro da Princesa, mas a expectativa é que a partir de 2016 o Bugre precise encontrar uma nova casa.
Texto com informações de Globoesporte.com e Portal Futebol Interior