Em evento promovido pelo JF Vôlei, nesta segunda-feira, no Independência Trade Hotel, “inovação” foi a palavra da noite.
A direção da equipe lançou campanha de crowdfunding, ou, em português, financiamento coletivo. Além da diretoria, estiveram presentes na cerimônia membros da imprensa juiz-forana, empresários locais, representantes da start-up paulista Colabore e torcedores do time.
A iniciativa, segundo Heglison Toledo, é uma das frentes em que a diretoria trabalha para a viabilização da continuidade e do crescimento do projeto: “Precisamos criar novas alternativas. Continuamos correndo atrás de patrocinadores, mas confiamos muito na força da nossa torcida, que, com todas as dificuldades que enfrentamos, se mostrou extremamente fiel na temporada passada”, explica o supervisor.
A meta da campanha é arrecadar, em noventa dias, R$100.000,00 para a formação do elenco da próxima temporada. Para colaborar, basta ao torcedor que acesse a página da ação, complete seu cadastro e escolha um valor para contribuir. As opções variam de R$30,00 a R$200,00, sendo que é possível, também, escolher uma quantia qualquer acima deste teto.

Internet e paixão
Recém-criada, a Colabore aposta no crowdfunding para o mercado esportivo como estratégia competitiva. No lançamento, estiveram presentes pela empresa os executivos Marcelo Moraes, Fabiana Medina e Adriano Tegani. Tegani comentou sobre o potencial da parceria: “O JF Vôlei é um projeto inovador, que vai disputar sua sexta Superliga consecutiva. Usaremos o poder da internet e a paixão do torcedor a favor do time, para continuar o bom trabalho que vem sendo feito”. No caso do esporte, o financiamento tem características um pouco diferentes das habituais: “Geralmente, há contrapartidas nas campanhas. Neste caso, é o bom desempenho da equipe na competição, ou, quem sabe, a conquista de um título para a cidade”, aponta o empresário.
O Toque de Bola conversou com o Diretor Técnico do JF Vôlei, Maurício Bara Filho e aproveitou para perguntar sobre o encontro promovido pela Confederação Brasileira de Voleibol nesta terça-feira, 17.
Toque de Bola: Nesta reunião da CBV sobre a Superliga, o JF Vôlei já teria que levar uma posição mais definitiva sobre a próxima temporada?
Maurício Bara Filho: A reunião da CBV é protocolar, todo ano tem. Primeiro ocorre uma avaliação da temporada passada. Não há posição para se levar agora, só no dia 30 de junho. Agora é para se ouvir, discutir calendário, essa é a pauta da reunião.
Toque de Bola: Como funciona esse modelo de arrecadação, é parecido, por exemplo, com o que tem feito o Fluminense, que arrecada verbas para produzir livros, documentários e até eventos, como no próximo aniversário do clube?
Maurício: Existem vários modelos. O Fluminense já vem com algumas coisas sedimentadas,. A gente tem que buscar primeiro sedimentar a palavra da temporada passada, que foi sobrevivência. É isso que a gente vai tentar, a manutenção do projeto. Esse é o grande objetivo.
Toque de Bola: O que é essa nova forma de arrecadação?
Maurício: É um fundo no qual as pessoas e as empresas têm a possibilidade de ajudar o projeto com uma única doação de um valor pré-determinado, diferentemente da concepção do sócio-torcedor, que tem o valor mensal. Isso é muito comum nas universidades americanas.
Toque de Bola: E em relação aos patrocinadores que foram parceiros na última Superliga, como andam as conversas?
Maurício: Estamos tendo boas conversas preliminares com os parceiros. Apesar do desempenho da temporada passada, eles nos têm relatado um bom retorno. Claro que não depende só disso, depende da verba, da situação da empresa, mas as primeiras conversas foram muito boas. No entanto, precisamos fechar algumas coisas mais consistentes para poder dar andamento na temporada.
Entrevista com Heglison Toledo
O Toque de Bola também entrevistou o Supervisor do JF Vôlei, Heglisson Toledo, para mais detalhes sobre o lançamento da campanha de arrecadação.
Toque de Bola: Qual o objetivo desse crownfunding?
Toledo: É um sistema de financiamento coletivo. Hoje vamos fazer o lançamento para esclarecer o funcionamento. O objetivo é de que como fomos abraçados pela torcida e ainda temos muita dificuldade no patrocínio direto, estamos ampliando a nossa capacidade de captação. Não somente a captação direta, com lei de incentivo, patrocinadores, sócio-torcedor, e agora vamos lançar mais esse produto para conseguir captar verba. E obviamente, a torcida se sentir cada vez mais fazendo parte da equipe.
Toque de Bola: Você se espelhou em algum outro projeto esportivo?
Toledo: Não necessariamente. Já sabíamos que existia essa possibilidade, pesquisamos com algumas equipes de vôlei e nenhuma já havia feito, e pelo que levantamos nós seremos a primeira equipe a trabalhar com crownfunding.
Toque de Bola: Vão ter valores específicos para doação?
Toledo: A primeira meta é o levantamento de R$100 mil para formação da equipe. Depois que formos conseguindo bater as metas, nós vamos lançando outros programas. Para contribuição são quatro valores: R$30, R$50, R$100 e acima de R$100. É um valor liberado, mas a pessoa pode contribuir a partir de R$30.
Toque de Bola: Vai ter um prazo para atingir essa meta, e caso não atinja, esse dinheiro volta para o doador ou não?
Toledo: A meta é o nosso objetivo final, mas todo recurso que entrar no crownfunding vai ser revertido na formação da equipe. Nós temos essa primeira meta de R$100 mil, depois teremos outra meta e assim sucessivamente. Vamos imaginar que conseguimos arrecadar R$10mil, esse dinheiro vai para a montagem do elenco. Temos 90 dias para conseguir chegar em cada meta.
Toque de Bola: Como vai ser a forma de arrecadação?
Toledo: É um site em que o torcedor vai se cadastrar e colaborar, Tem as regras, o contrato, e o torcedor vai acompanhando o andamento do projeto, e essa plataforma vai ter visibilidade no nosso site e nas redes sociais. São vários formas de pagamento, como cartão e boleto bancário.
Toque de Bola: Você representou a equipe na reunião da Superliga nesta terça. Alguma novidade já para a próxima temporada?
Toledo: Não. Foi um encontro mais para avaliação mesmo da temporada que se encerrou. Algumas discussões foram levantadas sobre a próxima Superliga, mas ainda nada foi decidido. Ficou mesmo como avaliação e questões apresentadas pela CBV aos clubes.
