Se não ganhou quando jogou bem, o que dirá jogando mal?
O Tupi protagonizou, contra o Luverdense, uma de suas piores partidas nessa Série B. Na gelada noite de terça-feira, 14, o Carijó empatou por 0 a 0 com a equipe do Mato Grosso no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Os dois times criaram pouco e pecaram nas finalizações. Menos de 400 torcedores pagaram ingresso – foram apenas 360 pagantes e 538 presentes.
Após a nona rodada, o Tupi sai da lanterna do Campeonato Brasileiro, deixando o Sampaio Correa na ultima posição. Já o Luverdense desperdiçou a oportunidade de se aproximar do G4 e ocupa a nona colocação. Na próxima rodada o Galo visita o Criciúma, sábado, 18, e o Luverdense joga no Durival Britto, sexta, 17, contra o Paraná.
Embora tenha “devolvido” a lanterna ao concorrente do Maranhão, o Carijó não tem chances de se livrar do Z-4 na próxima rodada. Com apenas quatro pontos somados em 24 disputados, o time está a cinco pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento. O Paysandu venceu na rodada e chegou a nove. Os próximos compromissos do Tupi são teoricamente bastante difíceis: no sábado, às 16h, enfrenta fora de casa o Criciúma e na terça-feira, 21, recebe o Bahia, às 19h15.
Criciúma e Bahia, coincidentemente, foram adversários na noite desta terça, com vitória da equipe catarinense, em casa, por 3 a 2 – o Bahia ficou duas vezes em vantagem – 1 a 0 e 2 a 1, mas o mando de campo prevaleceu.
Filme de terror
Se a situação do Tupi na Série B pode inspirar um filme de drama, o primeiro tempo da partida contra o Luverdense foi o roteiro perfeito para uma produção de terror. Com menos de menos de dez minutos o time de Lucas do Rio Verde já teve a primeira grande chance de gol. A zaga do Tupi falhou e a equipe visitante chegou com dois jogadores na área. Jean Patrick tocou para Hugo que, cara a cara com Rafael Santos, finalizou. O goleiro Carijó desviou a bola, que ainda bateu na trave antes de sair.
Logo depois dos primeiros erros de passe, os gritos na arquibancada demonstravam a insatisfação do torcedor. A torcida está sem paciência e com razão. O Tupi teve péssima atuação nos primeiros 45 minutos. Não criou chances de gol e falhou por várias vezes no setor defensivo.
Chuva de vaias
Na segunda etapa o jogo não mudou muito. Thiago Silvy e Giancarlo continuaram errando e levando vaias da torcida. Quando foram substituídos, os torcedores comemoraram como se fosse um gol. E essa foi a maior alegria dos 583 torcedores que compareceram ao Estádio Municipal.
Apesar do jogo ruim, o Galo melhorou seu desempenho na etapa final. A entrada de Sacilotto e Rubens fez com que o time criasse mais oportunidades de gol. As chances mais perigosas do segundo tempo foram do time de Santa Terezinha. E foi exatamente com esses jogadores que o Tupi teve a melhor oportunidade: Henrique cruzou e Serrato cabeceou para grande defesa de Gabriel. No rebote, sem goleiro, na pequena área, Sacilotto mandou por cima do gol.
Volta de Hiroshi
A partida marcou o retorno de Hiroshi. O meia vinha de contusão e ainda não tinha atuado na Série B. Cogitou-se uma cirurgia no ombro, mas ele reapareceu sem a intervenção cirúrgica. Hiroshi ficou satisfeito com o desempenho individual. “Hoje joguei na superação. Coloquei o coração na ponta da chuteira para tentar ajudar a equipe. Estou feliz de voltar a jogar. Senti câimbra no final, mas é normal. Estou parado há muito tempo. Vamos continuar trabalhando para que a bola comece a entrar. Infelizmente não saímos com o resultado positivo, mas também não perdemos. Agora é bola para frente. Vamos continuar trabalhando, evoluindo, para fazer com que as vitórias aconteçam”.
Comentário do Toque de Bola
Veja abaixo como o comentarista convidado do Toque de Bola, Marcelo Rizzato, analisou a nona partida alvinegra pela Série B de 2016:
“O Tupi repetiu a sua performance no primeiro tempo: um grande número de bolas roubadas (meio-campo marcador) e uma quantidade absurda de passes errados (meio nada criativo). A Luverdense, ciente da fragilidade do Tupi, o envolveu com jogadas rápidas e alternadas pelas laterais, só não conseguindo finalizar com qualidade. O time saiu vaiado. Um primeiro tempo frio como a temperatura!
Nos 15 primeiros minutos do segundo tempo, Tupi conseguiu uma presença maior na área da Luverdense e por duas vezes, após os 35 minutos, criou chances reais de gol e foi só. Aproveitando-se dos passes errados do Tupi e das vaias dos torcedores, a Luverdense passou a administrar o resultado. Após o levantar da placa com os acréscimos, o fantasma do gol no final se fez presente e dessa vez quiseram os deuses do futebol determinar o fim da série de derrotas. Renasce a esperança da reação carijó. A diretoria já fez a substituição primeira, que sempre é a troca do treinador. E agora, onde atuará?”
Estevam: “Atuação ruim”
Na entrevista coletiva o técnico Estevam Soares admitiu certo abatimento do grupo no vestiário. “A atuação não agradou. No vestiário, na hora da oração, precisei pedir a palavra e me reinventar emocionalmente para levantar o grupo. A palavra tem que ser ‘continuação’. Pegamos um time que está jogando junto há praticamente dois anos, com o mesmo treinador”.
Confira os outros trechos da coletiva de Estevam Soares após a partida:
“Equipe sem confiança”
“O primeiro tempo foi muito sofrido. Poderíamos até ter tomado gol, teve bola na trave. Em uma equipe sem confiança, os jogadores se escondem. Tocam para o lado para deixar que o companheiro resolva. Essa não é a imagem do Tupi, mas de uma equipe sem confiança. No intervalo acalmamos a equipe e melhoramos. Os erros de passe foram enormes no primeiro tempo. Na segunda etapa ainda perdemos nosso zagueiro e acabou nos prejudicando nas substituições. O Hiroshi era para jogar 45, 60 minutos e precisou jogar até o final. De tudo, temos que tirar coisas boas. O que nos resta é trabalhar”.
Confiança no grupo
“Um jogador me falou: ‘Professor, desses oito jogos, não fomos massacrados por ninguém.’ Nosso barco está em alto mar e está chegando a tempestade. Se nós nos juntarmos para remar, daqui a pouco não estamos mais nessa situação”.
Importância dos reservas
“A primeira coisa que temos que fazer é uniformizar o time fisicamente. O elenco está muito bem preparado fisicamente, o preparador físico é muito bom, tanto que aguentamos 90 minutos tomando contra-ataques. Só que quem prepara um time é o treinador. Quem não jogar vai fazer treino e trabalhar até ficar nivelado. Acho que temos que buscar jogadores que possam dar uma sustentação maior ao elenco”.
Situação de Silvy e polêmica sobre jogador em festas
“Jogador bom, de verdade, não deve preocupar com a torcida. O Silvy, em Pelotas, jogou muito bem e hoje não fez uma partida boa. Agora, você (repórter que fez o questionamento sobre a divulgação de uma foto do atleta em rede social, supostamente numa “balada”) está me contando uma novidade. Ainda não ataquei nessa área. São cinco dias, dois jogos e isso não pode existir. Quando falei sobre remar em alto mar, falei em todo mundo. Eu falei com eles: ‘Se ia tomar quatro cervejas hoje, toma duas. Deixa as outras para o final do ano’. Vou começar a olhar isso agora, já que você falou. Vou começar a prestar atenção. O clube não tem condições de concentrar dois, três dias antes do jogo. Nós temos que criar homens, com responsabilidade. Assim, daqui um tempo podemos abolir as concentrações, porque saberemos que o cara vai estar em casa e quando for 23h está dormindo. Mas não acredito.Creio que seja balela. Estou vendo todo mundo trabalhando, correndo e precisamos acertar”.
Falta de pontaria
“Não posso estar satisfeito. Jogamos 180 minutos e não fizemos um gol. O Giancarlo tem lutado muito, mas não é só ele. Ele é um matador. Discordo também quando a torcida fala do lateral [Henrique]. Hoje ele fez um inferno na defesa . Nós precisamos de mais jogadores por faltam vinte poucas rodadas e cada jogo tem viagem muito longa. É desgastante”.
FICHA TÉCNICA
TUPI 0 x 0 LUVERDENSE
TUPI: Rafael Santos; Henrique, Heitor, Hélder (Rodolfo Mol), Bruno Costa; Hiroshi, Serrato, Jataí; Kiss, Thiago Silvy (Sacilotto); Giancarlo (Rubens);
Técnico: Estevam Soares
LUVERDENSE: Gabriel Leite; Raul Prato, Airton, Everton, Paulinho; Jean Patrick, Ricardo, Sérgio Mota, Kazu; Douglas (Erick), Hugo;
Técnico: Junior Rocha
Arbitragem: Bruno Arleu de Araújo (RJ); Vanderson Antônio Zanotti (ES) e Eduardo de Souza Couto (RJ);
GOL: Não houve
CARTÕES AMARELOS: Não houve
PÚBLICO: 360 pagantes / 538 presentes
RENDA: R$ 6.870,00
LOCAL: Estádio Municipal Radialista Mário Helênio – Juiz de Fora (MG).
Estatísticas do jogo (fonte: site Soccer Way)
Veja a classificação atualizada após nove rodadas (fonte: CBF. Se preferir, clique sobre a imagem para ampliar)
Resultados da nona rodada da Série B (arte: Toque de Bola. Se preferir, clique sobre a imagem para ampliar)
VEJA COMO FORAM TODOS OS JOGOS DA RODADA
Abrindo a nona rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, seis jogos foram realizados no início da noite desta terça-feira (14). Líder, o Vasco derrotou o Náutico por 3 a 2, em casa, enquanto o Atlético-GO ficou no 0 a 0 com o Joinville, em Santa Catarina. O Dragão está na briga pelo topo da tabela. Criciúma, Paraná e Vila Nova-GO também somaram três pontos. Os outros jogos terminaram empatados.
Vasco 3 x 2 Náutico
Vindo de derrota para o Atlético-GO, na última rodada, o Vasco se redimiu diante de sua torcida em São Januário. Com gols de Andrezinho, Rodrigo e Eder Luis, o time carioca bateu o Náutico por 3 a 2 e segue na liderança do campeonato, agora com 22 pontos. O Timbu, que marcou com Rafael Pereira e Renan Oliveira, é o quarto colocado, com 16 pontos.

Joinville 0 x 0 Atlético-GO
Na Arena Joinville, JEC e Atlético-GO empataram em 0 a 0. O Dragão vai a 20 pontos, os donos da casa têm dez.
Criciúma 3 x 2 Bahia
No Heriberto Hülse, o Criciúma saiu atrás no marcador, mas virou contra o Bahia e venceu por 3 a 2, com gols de Gustavo (duas vezes) e Hélio Paraíba. Hernane e Moisés marcaram para o Esquadrão de Aço.
Tupi 0 x 0 Luverdense
Em Juiz de Fora (MG), Tupi e Luverdense-MT também ficaram no 0 a 0. A equipe do Mato Grosso soma 13 pontos, contra quatro do time mineiro.
Oeste 1 x 1 Londrina
Na Arena Barueri, Germano abriu o placar para o Londrina, e Marcus Vinícius empatou para o Oeste: 1 a 1. O time do interior paulista soma 13 pontos, mesma pontuação do Tubarão.
Paraná 2 x 0 Goiás
Jogando em casa, no Durival Britto, o Paraná bateu o Goiás por 2 a 0, com gols de Lúcio Flávio e Robson, ambos de cabeça.
Vila Nova-GO 1 x 0 Sampaio Corrêa
Com gol de Frontini, o Vila Nova-GO bateu o lanterna Sampaio Corrêa-MA por 1 a 0, no Serra Dourada.
JOGOS DAS 21h30
Três jogos completaram a nona rodada da Série B do Campeonato Brasileiro nesta terça-feira (14). Jogando em casa, o Ceará derrotou o Brasil-RS e colou no G-4. CRB-AL também venceu jogando em casa, empurrando o Bragantino para a zona de rebaixamento. O resultado do jogo no Rei Pelé beneficiou o Paysandu, que bateu o Avaí e deixou a degola.
Ceará 3 x 0 Brasil-RS
No Castelão, o Ceará venceu o Brasil de Pelotas por 3 a 0 e colou no G-4. Com três gols de Bill, o Vozão chegou a 16 pontos – mesma pontuação do Náutico, quarto colocado – e ocupa o sexto lugar por ter menos gols de saldo (dois contra 11 do Timbu, e cinco do Criciúma, quinto colocado). O Brasil, com 14 pontos, está na oitava posição.
CRB 2 x 1 Bragantino
Com gols de Lúcio Maranhão e Adalberto, o CRB-AL bateu o Bragantino por 2 a 1, no Rei Pelé. A vitória em casa deixou o time alagoano com 15 pontos, na sétima posição. Edson Sitta descontou para o time de Bragança Paulista, que tem oito pontos e entrou para a zona de rebaixamento, na 17ª posição.
Paysandu 1 x 0 Avaí
Na estreia de Gilmar Dal Pozzo como técnico, o Paysandu venceu o Avaí por 1 a 0, com gol de Jhonnatan, na Curuzu. Com o resultado, o Papão deixou a zona de rebaixamento e agora aparece em 16º lugar, com nove pontos. O Leão da Ilha, com dez, está em 13º.
Texto Tupi x Luverdense: Cérix Ramon, do Toque de Bola, com supervisão de Ivan Elias, Toque de Bola
Comentarista convidado do Toque de Bola: Marcelo Rizzato
Informações dos outros jogos da rodada e foto Vasco – Paulo-Fernandes-Vasco.com: site CBF
Arte: Toque de Bola
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