Danilo Batista. Lateral e zagueiro. Jogou pelo Tupi de 1962 a 1971. Murilão. Zagueiro. Defendeu as cores do Carijó em duas passagens: de 1960 a 1962 e de 1965 a 1971. Dois jogadores que marcaram época do clube juiz-forano e que ainda estão presentes no coração dos torcedores. Ambos são as fontes que o Toque de Bola contou para relembrar, no ano em que o Alvinegro completa cem anos de fundação, algumas das melhores equipes que o Tupi teve neste século de história. Um reencontro em pleno coração da cidade repleto de memórias de um tempo em que o futebol juiz-forano era ainda mais preto e branco, conforme pode ser visto nas fotografias do arquivo pessoal de Danilo Batista.
Enquanto a dupla relembrava as façanhas do passado, não faltou torcedor para reconhecê-los no Parque Halfeld, onde a equipe do Portal Toque de Bola se encontrou com os dois jogadores. A todo instante a conversa era interrompida. Até torcedor dizendo ser Baeta apareceu, mas os dois craques carijós garantem que ele torce mesmo é para o Tupi, motivo de risadas. “Príncipe Danilo”, chama atenção a reverência. Quem era? Claudinho, outro ex-jogador do Galo e que no ano passado foi treinador do Galinho, equipe Júnior do Tupi que disputou o Campeonato Mineiro da Categoria. “É sempre assim”, garante Danilo. “Se eu descer o Parque Halfeld, sou parado inúmeras vezes”, afirma, destacando que gosta do carinho dos torcedores.
Danilo argumenta que muito se fala do time do “Fantasma do Mineirão”, mas ela chama a atenção para outras equipes tão boas ou ainda melhores que aquela. “Só se fala no Fantasma do Mineirão, mas houve outros grandes times na história do Tupi, como o que conquistou o Campeonato Regional de 1969”, afirma o jogador, um dos integrantes deste time ao lado de Murilão, que também era “Fantasma”. Além do título, Danilo relembra alguns resultados daquela equipe: 4 a 2 sobre o Botafogo; 2 a 0 sobre o América-RJ; 0 a 0 diante do Vasco; 2 a 1 sobre o Fluminense; 4 a 2 no Remo (PA); e 3 a 1 sobre o Olaria. Foram apenas duas derrotas: 2 a 1 para a Portuguesa (SP) e 1 a 0 para o Flamengo, gol de Bianchini.
A vitória diante do Alvinegro carioca faz parte da memória afetiva de Murilão, que selecionou a partida como uma das mais marcantes vestindo a camisa do Tupi. “O jogo contra o Botafogo, em 1969, foi especial. Terminou 4 a 2 para nós no Estádio Salles de Oliveira. O Botafogo ganhava de todo mundo e chegou pisando na ponta dos cascos e distribuindo rosas para a torcida. Mas estávamos acostumados e enfrentar equipes cariocas…”, relembra. Danilo tem, na memória, a formação do Botafogo: “Ubirajara; Carlos Alberto Torres, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto, Nei Conceição, Zequinha e Paraguaio; Fischer e Paulo César Caju.
Em meio a tantas histórias, Danilo destaca o orgulho de ter feito parte deste cem anos de história: “A gente fica orgulhoso. Foi uma grande satisfação representar o clube desde o Infantil até o Master. Fui supervisor, diretor, técnico, roupeiro, plantei grama, pintei alambrado. Saí do Tupi e passei por Nacional, de Muriaé, Americano, de Campos… Quando chegava em outras cidades, o pessoal queria saber do Tupi, que é uma marca muito grande da cidade”.
Murilão, quem Danilo considera um dos melhores zagueiros da história do Tupi, também comenta o sentimento. “É uma satisfação lembrar-se de bons momentos. Conseguimos grandes amizades. Até hoje a gente passa na rua e é reconhecido”, expõe, acrescentando que em 26 de maio foi à missa do centenário e deu inúmeras entrevistas. Sobre o Tupi de hoje, disse que “está bem demais”. Murilão revelou que vai com frequência ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. “Gosto de ver o Wesley Ladeira, talvez por jogar na minha posição. O goleiro também é muito bom”, destaca Murilão.
Confira abaixo fotos históricas. As seis primeiras mostram alguns dos melhores times da história do Tupi. Clique nas imagens para ampliá-las.

Fantasma do Mineirão: time que derrotou o Atlético por 2 a 1, dois gols de João Pires.
Em pé: Manoel, Valtinho, Mauro, Valdir (goleiro), Murilo e Dário. Agachados: João Pires, Toledo, Vicente, França e Eurico. Técnico: Geraldo Magela.

Fantasma do Mineirão: time que derrotou o América, por 2 a 1, dois gols de João Pires.
Em pé: Magela (técnico), Manoel, Mauro, Valtinho, Valdir (goleiro), Murilo, Dário e professor Ítalo. Agachados: João Pires, Toledo, Joel, França e Eurico.

Time campeão do Campeonato Regional de 1969: entrega das faixas.
Em pé: Luizinho, Eurico, Edson, França, João Pires, Osvaldo, Lumumba (goleiro), Danilo, Jair, Murilo, Jaílton, Edinho, Arizona (técnico) e Adão. Agachados: Ângelo, Clóvis, Índio, Ataíde, Flávio, Íris Brito, Taul e Hércules.

Time de 1969.
Em pé: Edinho, Danilo, Jair, Osvaldo Guariba, Lumumba e Murilo. Agachados: João Pires, Jaílton, Flávio, Íris Brito e Eurico.
“Foi um dos melhores times que joguei. Era um timaço. Os jogadores eram craques. O João Pires, que depois foi para o Botafogo de Ribeirão Preto, o Jaílton, que jogou no Botafogo, América-RJ e Alianza Lima, do Peru. O Flávio jogou no Botafogo. O Íris Brito esteve no Santos e jogou com o Pelé no Cosmos”, relembra Danilo, afirmando que aquela equipe também não fugia de briga.
Murilo faz coro: “Eram só jogadores de qualidade e muito bem treinados. Um time determinado. Jogava no Maracanã como se estivesse em qualquer outro estádio”.

Cruzeiro 0 x 0 Tupi – 1967. Em pé: Manoel, Evaldo, Jorge Luís, Gomes, Valdir, Amauri (goleiro), Paulo Henrique Toledo, Pitti, Danilo Batista e Paulo Neves. Agachados: Paulo Pulig, Mamão, Teófilo, Luizão, Ivan, Amarildo e Limão (massagista).
“Em 1987, o Tupi chegou ao quadrangular final do segundo turno. Quem passasse, enfrentaria o Atlético na final. Venceu a primeira partida contra a Caldense, por 2 a 0, e empatou com o Cruzeiro, 0 a 0, no Mineirão com mais de 80 mil pessoas. Acabou eliminado, ficando em terceiro no Mineiro daquele ano. Dois anos antes, 1985, ficou em quarto, também sendo campeão do interior. Tinha a seguinte escalação: Adilson; Evaldo, Ricardo Strade, Ricardo Balbino e Valdir; Índio, Manoel e Sidney; Nequinha, José Maria e Teófilo. O técnico era o Luiz Alberto”, relembra Danilo Batista, supervisor daquelas equipes, destacando que os dois times foram montados quando Maurício Batista de Oliveira era presidente do Tupi.

Time campeão juiz-forano de 1954.
Em pé: Toti, Jorginho, Timbinha, Eli flores, Silvio e Gil. Agachados: Matheuzinho, Zu, Francinha. Ipojucan e Toledinho.

Juvenil do Tupi em 1962. Em pé: Manoel, Edmundo (goleiro), Murilo, Sabino, Marco Aurélio e Paulo Costa. Agachados: Chiquinho, Marco Aurélio Magno, João Márcio, Zé Mauro e Tatão.

Aspirante do Tupi campeão em 1962. Em pé: Osman Magno (Boy), Alberto, Golner (Goleiro), Magalhães, Sabino e Quibrilha. Agachados: Bigode, Danilo, Zózimo, Laurindo Neto e Chiquinho (tio do João Pires)

Danilo Batista recebe a premiação por integrar a Seleção de Juiz de Fora em 1969. Cerimônia realizada pela TV e Rádio Industrial.
Curiosidades
Durante a entrevista, Danilo Batista, em uma velocidade de quem foi lateral, lembrou-se de fatos curiosos da história do Tupi. Conheça alguns deles:
- Em 19 de abril de 1970, na primeira loteria esportiva, um dos 13 jogos foi Tupynambás e Tupi, partida no Estádio José Paiz Soares vencida pela Carijó por 2 a 0
- Em 1987, o Chico Anysio esteve em Juiz de Fora para fazer uma apresentação no Cine-Theatro Central e mandou buscar uma camisa do Tupi para fazer o Coalhada.
- O Tupi fez três contra seleções. Em 1974, a Seleção de Gana enfrentou o Galo Carijó, em Juiz de Fora, e perdeu por 1 a 0. Em 1987, o Tupi derrotou a Seleção da Libéria por 2 a 0. Um ano depois, o desafio foi contra a Seleção de Omã: 0 a 0.
Texto: Thiago Stephan
Fotos: Arquivo Pessoal de Danilo Batista
Meu apelido eh baiano! Fui goleiro da base de 1985 a 1989 quando sai para jogar no clube atletico mineiro . Tenho muitas historias para contar. Entre em contato comigo. Abcs
cordialmente
Baiano
Sou sobrinho do jogador que todos chamam de Eurico, do time campeão de 69. Na realidade seu apelido, desde criança, era Orico e não Eurico. Seu nome de batismo era Joacyr. Ele era o irmão caçula de minha mãe.
Sidinei, boa tarde.
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Obrigado pelo contato e boa tarde,
Equipe Toque de Bola
sou filho do osvaldo guariba e vi o murilão jogar ele jogava
muito o danilo morava perto da minha casa só não o vi jogar mais o conheço muito queria colocar uma foto do tupi aqui mais não sei como se tiver jeito me avise ok