Nos bastidores do último treino do Carijó antes da estreia no Estadual, o técnico Wilson Gottardo concedeu entrevista ao Toque de Bola e ratificou que o torneio é um dos regionais mais equilibrados do país, já tendo atuado nas competições do Rio e São Paulo e dirigido o Villa Nova, em Minas, em 2011. “Posso dizer sobre três campeonatos que vivi intensamente. O Paulista, joguei até a segunda divisão, que era muito mais difícil que agora, então é um campeonato à parte. O Mineiro é mais difícil e competitivo que o Carioca, posso lhe garantir tranquilamente sobre isso”, confirmou.
O treinador ainda analisou o panorama financeiro do campeonato e ressaltou a juventude do elenco do clube juiz-forano. “Para este Estadual, vejo as equipes se estruturando com folhas salariais altíssimas, que não é nosso caso, que é enxuta, e com uma média de idade bem baixa. Ela cresceu agora em virtude da vinda do Genalvo e do Sidinei, mas ainda é baixa”, disse.
O Tupi estreia no Estadual neste domingo, 26, às 19h30, contra o América, no Estádio Independência, em Belo Horizonte.
Funções extracampo: desabafo
No período entre a aposentadoria como jogador e o início como técnico, Gottardo se preparava para comandar clubes. Paralelamente, por cerca de quatro anos, o ex-zagueiro foi empresário de alguns jogadores e, após mais esta etapa, recebeu críticas pela possibilidade de desempenhar mais de uma função de forma simultânea. Ao ser questionado sobre esta fase na área empresarial, o técnico desabafou.
“É bom que você pergunte, porque alguns jornalistas que, sem me dar um telefonema, fazer uma pergunta ou pagar alguma conta minha no mês, chegam e são levianos em dizer que eu tenho que decidir o que fazer da minha vida. Eu resolvo o que realizar na minha carreira. Hoje, sou apenas treinador. Sepultei a função de empresário há cinco anos e estou muito tranquilo”, disse.
As críticas, segundo o ex-atleta, não possuíam fundamento e eram referentes a possíveis atitudes de cunho social e positivas para o esporte nacional. “Falaram como se o jogador ou ex-atleta de futebol só pudesse exercer uma profissão. Se eu tenho um poliesportivo que trabalha com revelações de atletas e eu sou o treinador, está conflitando? Não. Estou fazendo um trabalho social e, posteriormente, serão revelados jogadores para outros clubes. Não estou lesando ninguém, muito pelo contrário, tiro marginal da rua. Só que são pessoas de mau caráter tremendo, mas isso é superado e estou trabalhando tranquilo”, exemplificou.
Formação de treinador
Antes de iniciar o cargo de comandante de equipes, em 2011, Gottardo se preparou com referências, como Carlo Ancelotti, Vanderlei Luxemburgo e Tite, além de realizar estágios em grandes equipes brasileiras, casos de Cruzeiro e Flamengo. O ex-zagueiro afirmou que sua capacidade foi questionada neste período, mas que possui estrutura para realizar bons trabalhos.
“Já quando jogava tinha um viés para esta função. Quando encerrei a carreira, fiz um curso para treinador em São Paulo, adquiri a carteira do Sindicato, mas por ritmo de vida acabei entrando nessa área comercial. Fiquei três, quatro anos tentando me dedicar a função de treinador, tanto que, em 2007, quando estagiei com o Luxemburgo, já estava na fase final. Acho que tenho uma bagagem muito boa. É estupidez alguém dizer que estou começando agora e não estou preparado, não sabe da minha vida. É só pesquisar um pouco”, afirmou.
A escolha e a atenção especial aos zagueiros
Vitorioso zagueiro no país, Gottardo acumulou títulos por onde passou. Seu início, ao contrário da maioria, foi no gol e no basquete. Todavia, o comandante alvinegro contou que, ao disputar uma competição amadora na zaga, obteve destaque e definiu seu setor de atuação. “Quando garoto, naquela fase de pré-adolescência, jogava salão e cheguei a ser goleiro, porque jogava muito basquete, era titular da seleção do colégio. Mas crescendo e amadurecendo, parti para a zaga. Com 15 anos, joguei o campeonato amador da cidade como zagueiro, do tipo que tem aqui em Juiz de Fora (Copa Prefeitura Bahamas de Futebol Amador). Atuei contra homens maduros, de 30, 35 anos e acabei me sobressaindo e fui convocado para trabalhar no time da cidade (União Barbarense). Com 17 anos, já estava no profissional, sendo um coringa. Então joguei em todas as posições atrás, nas laterais e até de volante. O treinador pedia e eu atuava. Isso foi muito bom, foi uma escola boa que eu tive”, lembrou.
Experiências como essas são relatadas por Gottardo aos atletas do Tupi. Ele busca, ainda, passar perseverança e a personalidade aos zagueiros, pertencentes, segundo ele, a um setor de vital importância no futebol. “Nunca desistir, superando o adversário, em alguns momentos sendo superado, mas jamais se entregar.Essa é a vida de um zagueiro, acreditando sempre no potencial, na evolução tática e técnica e na personalidade, que considero os zagueiros como o coração do time, aqueles que fazem bombar o sangue pelas veias do jogo. São peças fundamentais, por isso cobro demais os zagueiros”, disse.
Preparação e montagem do elenco
Mesmo há pouco tempo no Carijó, Gottardo ressaltou as dificuldades vividas durante o processo de formação do elenco. “Foi complexo, tinha que conhecer os jogadores que ficaram, a maior parte deles não jogavam, e outros que chegaram sem estar preparados fisicamente. Então é muito difícil ter que montar uma equipe taticamente, deixar ela afinada para jogar fazendo experiências e avaliações, preparando atletas que estão há dois, três meses sem treinar. É uma exigência tremenda da comissão técnica. Não pudemos realizar a pré-temporada em uma cidade, ficar dez dias respirando futebol, até porque estávamos formando elenco também. Ainda usei jogadores da base, tive que treinar e preparar para estarem prontos para os jogos. Eles têm que evoluir e dar uma resposta para mim. O time ainda está em fase de ajustes, mas se encontra muito bem encaminhado”, finalizou.
Texto: Bruno Kaehler
Foto: Toque de Bola
Falar de Gottardo como se fosse um iniciante é coisa de imprensa marrom, que fala pelos cotovelos, sensacionalistas baratos, fazem isso com o Galo, sempre….Se não fosse o TUPI, se não for o TUPI onde irão parar esses repórteres de FUTEBOL aqui da cidade…E o pior, depois que conseguem lograr objetivos maiores tratam o Galo como se fosse algo pequeno, nada importante…Estou mentindo? O Rogério Correa quando narra jogos do Galo faz parecer que JAMAIS teve contato com o Carijó…Isso é só um exemplo… Quanto ao técnico, a escolha foi da Diretoria, Gottardo terá tempo e disposição para trabalhar. Boa Sorte a todos!
TUPI – Gottardo: “Estupidez alguém dizer que estou começando agora e não estou preparado” http://t.co/6QXuEA8zWw
Gottardo: “É estupidez alguém dizer que estou começando agora e não estou preparado” : Nos bastidores do último… http://t.co/o89ymePQry