Alegria, festa, decepção, heróis e protesto! O treino aberto do Brasil

Carlos Felipe exibe os autógrafos como troféu

  Se aquele clima de Copa de sempre ainda não embalou no Brasil inteiro, pelo menos a sexta, dia 25, teve calor humano digno dos dias do Mundial de 2014. A Seleção Brasileira fez seu único treino aberto à torcida e centenas de torcedores compareceram à Granja Comary.

  É bem verdade que a maioria não conseguiu ver muita coisa, já que pouco mais de 150 felizardos puderam ocupar as arquibancada ao lado do gramado e acompanhar cada passo de Neymar e seus companheiros. Mas a empolgação de estar a metros dos jogadores já fez a galera fazer a festa e soltar gritos histéricos a cada arremedo de aproximação.

Privilégio para poucos

  O estudante Carlos Felipe Correia, de 14 anos, foi um dos felizardos que chegou bem perto dos jogadores da Seleção. Contente após a atividade, exibia e contava aos amigos e amigas de colégio como foi que conseguiu parar lá dentro, quase no gramado, e exibia uma camisa do Santos recheada de autógrafos.

  Certamente, a aula de amanhã terá uma atração especial. “Tinha um grande tumulto aqui, na porta, e não estava conseguindo entrar. Um amigo conseguiu falar com o tio que mora no condomínio e nos deixaram passar. Quando passei na porta só parei de correr quanto estava na grade do lado do campo”, conta.

  Com  os olhos brilhando e sem conseguir tirar o sorriso do rosto, Carlos Felipe gravou na memória cada detalhe do treino. “Fiquei todo o tempo na grade. Cantei parabéns para o Tite. O Neymar ficou pertinho de mim, você sabe o que é isso? Depois do treino, peguei autógrafo de quem pude. Estou muito feliz. Com a minha torcida, o Brasil vai ser hexa”, garante.

Raiane foi em busca de um encontro com Thiago Silva

Recadinho do coração

  Mas a maioria dos torcedores presentes à Granja Comary não conseguiu ter a mesma experiência de Carlos Felipe. A maioria das pessoas teve que se contentar a ficar de longe ou nem mesmo conseguir ver os jogadores do Brasil. Limitada por uma barreira de segurança, a galera deu seu jeito de se divertir.

  Entre gritos de “libera, libera!” e “Neymar, cadê você?”, qualquer um de cabelos black power virava William, qualquer cabelo longo lembrava Cassio. Com bom humor, a grande turma, estimada em cerca de 300 pessoas pela PM, encarou até uma garoa na fria tarde de Teresópolis e não arredou pé, querendo mostrar um pouco de seu amor pela Seleção.

  Mas havia quem tivesse o amor direrionado. Raiane Nunes, de 25 anos, exibia um cartaz destinado ao zagueiro Thiago Silva. “Sou fã dele desde 2007. Fui na despedida dele em 2008, mas não consegui entregar o presente que fiz. Hoje vim tentar novamente”, disse a torcedora do Fluminense que acabou tendo frustrada a nova tentativa.

Erivelton e Gabriel só viram os atletas de longe

Nem com poderes

  A turma que ficou de fora do treino tinha personagens curiosos, como Erivelton Ferreira, de 34 anos, e o enteado, Gabriel Gurgel, 9. Eles viajaram a Teresópolis desde Além Paraíba, em Minas Gerais, para ver a Selelção, mas não conseguiram. “Chagamos às 14h e já estava lotada a porta. Não conseguimos. Mas pelo menos estamos aqui”, explica Erivelton. “Vi eles de longe e conheci aqui a Granja. Fico um pouco triste, mas não muito”, conforma-se Gabriel.

Policial explica a Fera que heróis também não podem entrar na barreira

  Pouco depois da conversa com Gabriel, surge no horizonte uma turma que parecia ter a solução para o povo ver a Seleção. Super-Homem, Homem-Aranha, Batgirl, Mulher Maravilha, Madimbu e, pasmem, a Fera, desta vez desacompanhada da Bela, caminharam confiantes em direção à retenção da entrada principal da Granja Comary. Mas, conversa vai, conversa vem, a galera saída da ficção também ficou longe dos candidatos a heróis de carne e osso.

Protesto feito

Trovão (dir) faz seu protesto na Granja Comary

  Se a luta para entrar no treino da Seleção estava ingrata, a de alguns portadores de necessidades especiais é diária e ainda mais pesada. Assim, Márcio “Trovão” Machado resolveu levar a reinvindicação desse grupo de guerreiros de Teresópolis à Granja Comary.

  Como muitos, foi impedido de entrar próximo ao campo, mas não deixou de dar seu recado. “Estamos aqui para chamar a atenção para a luta dos amputados. Queremos que o Governo isente de impostos os equipamentos e acessórios de próteses humanas. Não queremos luxo, só ter uma vida digna”, disse Trovão, empunhando uma faixa com a reinvindicação.

  E assim foi o dia da torcida em Teresópolis. Tumulto na porta, torcida parcialmente barrada, muita zoação, cenas inusitadas, amor não correspondido, alegria genuína, protesto e diversão. Vendo ou não a Seleção.

Texto: Toque de Bola – Wallace Mattos

Fotos: Toque de Bola

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

Deixe um comentário