
“Alô, garota. Alô, garotão. Alô, rapaz!”
Um encontro casual no Centro da cidade com Paulo Roberto Simão, um ídolo do tempo em que comecei a ser assíduo ouvinte de rádio, significa tanto!
Paulo Roberto tinha um programa na Super B-3 e era integrante também da equipe de esportes. Um “amarelinho”, como batizavam os repórteres de campo na época na emissora.
Foi na voz dele também que pela primeira vez escutei alguém falar em “tirada do toss” no cara ou coroa entre o árbitro e os capitães antes de o jogo começar – não lembro se era campo do Tupi, do Sport ou do Baeta (e ouvindo, eu perguntava para a minha ignorância: “ué, tem alguém com tosse”? Ôxe…).
Para quem viveu o rádio daqueles tempos (década de 80), mesmo depois tendo trabalhado em rádio, encontrar e bater papo com um ídolo da adolescência ah vocês não têm ideia do que representa. Só quem gosta de rádio vai entender.
É exatamente assim: como que esse cara, um ídolo, que dominava o microfone com uma naturalidade e um talento tão grande para se comunicar com milhares de pessoas, se dispõe a falar comigo? É ele mesmo que está ao meu lado? É sim, uai, reconheço a voz dele.
Ele nos ofertava alegria e simpatia o tempo todo, seja do estúdio ou do palco do futebol, de onde as histórias eram contadas em versões espetaculares, numa época de pouquíssima participação da TV no esporte.
E agora ele está aqui, conversando comigo, como se eu merecesse a sua atenção.
Há muito tempo não o via.
Mas foi só bater o olho e reconhecer, e parece que ele tinha acabado de sair do estúdio dizendo “alô garota, alô garotão, alô rapaz” ou do estádio, anunciando qual capitão ganhou na “tirada do toss”.
Que bom vê-lo e ouvi-lo, Paulo Roberto!
E obrigado de coração pela atenção a mim dispensada, sendo você um ÍDOLO certamente também de muitos e muitos e muitos ouvintes do saudoso rádio.
Texto: Ivan Elias