Apesar da goleada, técnicos apontam equilíbrio. Drubscky comemora resultado e elogia Papão: “Esse time vai subir”

Quem não viu a partida e ouviu as entrevistas na saía de campo e nos vestiários pode até pensar que se tratava de “canal trocado”. Afinal, como um jogo que termina 5 a 1 é considerado equilibrado pelos dois treinadores?

O Toque de Bola, que experimentou novamente um extraordinário número de acessos, compartilhamentos das informações e centenas de comentários na cobertura da partida e de seus bastidores nas redes sociais, participou da entrevista coletiva do técnico do Tupi, Ricardo Drubscky,   conversou com o treinador do Papão, Dado Cavalcanti, com a presidente do clube carijó, Myrian Fortuna, e o goleiro Glaysson (este completou 50 partidas com a centenária camisa alvinegra, redimindo-se em grande estilo da falha no gol sofrido para o Vasco, na rodada anterior)

Confira as opiniões do treinador carijó após a partida

Esperava por esse resultado expressivo?

Ricardo Drubscky: Nenhum treinador espera um resultado largo. Nenhum treinador em sã consciência espera isso, porque o futebol hoje em dia está muito difícil e o adversário hoje foi muito qualificado. Nós fizemos o que costumo falar: o dia que não der para jogar, nós vamos marcar. Fizemos essa marcação, um ferrolho ali atrás, filtrando o time deles, que é campeão da Copa Verde, campeão do Pará, e está com um treinador há mais de um ano. Isso tudo pesa muito, tem jogadores qualificados, tem conjunto, e nós entramos com nove jogadores que chegaram há um mês no clube. Tudo é muito difícil, e em cima disso estamos com uma proposta de querer jogar, mas às vezes não dá. E quando não dá, nós marcamos bem. No segundo tempo esperávamos mais dificuldade e os jogadores que entraram – têm sido assim, graças a Deus – conseguiram dar uma certa qualidade à nossa equipe e conseguimos encaixar os contra-ataques, o que foi fundamental para nossa vitória.

Avaliação do Sacilotto

Ricardo Drubscky: Hoje ele foi de uma expressão muito grande. Ele atuou muito bem, como todos os outros, e ainda teve a lucidez de fazer passes para gols nossos. A gente tem visto nos treinamentos, no dia a dia, o comportamento dele. Trouxemos um jogador que tinha sido titular direto na Itália e que não jogava direto há dois meses.  Temos o João, que faz a análise, que pegou todo o histórico dele. Não fizemos uma aposta às cegas. Acreditou, viu vídeos, pegou informações de pessoas na Itália, e é um grande profissional. Acho que é um grande jogador para o Tupi, veio dentro das condições do clube, que é o mais importante, e assim como outros atletas fez uma grande partida.

Alteração que acabaria sendo fundamental na trajetória da partida: ainda durante o primeiro tempo, Tupi lança Vinícius Kiss na vaga de Formiga. Kiss marcou dois gols
Alteração que acabaria sendo fundamental na trajetória da partida: ainda durante o primeiro tempo, Tupi lança Vinícius Kiss na vaga de Formiga. Kiss marcou dois gols

Avaliação do Kiss e a entrada tão cedo dele no jogo

Ricardo Drubscky: Com 15 minutos eu já estava querendo fazer essa mexida, mas acabou que a gente esperou mais um pouco. Nós estudamos muito o time do Paysandu, sabíamos que eles jogavam com um quadro por dentro e dois homens de área, o Alexandro e o Ceará, e os dois laterais sobem com muita volúpia e não estávamos conseguindo parar isso. É aquilo que eu falo, o treinador quando está à beira do campo tem que pensar no jogo. Durante a semana ele pensa nos treinamentos, montamos estratégia. Mas, na hora do jogo, temos que estar atentos àquilo que vai acontecer. Nunca me furtei de fazer as mexidas que têm que ser feitas. Farei sempre, com qualquer jogador. O Formiga não foi culpado, só não estava encaixando na marcação ali. O Kiss entrou, e mais ou tão importante quanto os gols foi o equilíbrio que ele deu para aquele setor. Sabemos que fisicamente o Kiss é muito poderoso, ajuda muito. Ele fez aquele corredor, o lateral parou de apoiar tanto, e ai a gente neutralizou. O resto, no segundo tempo, no momento que o Paysandu abandonou o setor defensivo e foi buscar os gols, a gente encaixou bem os contra-ataques, o Kiss apareceu e foi muito feliz.

A entrada do Kiss ajudou o setor defensivo também?

Ricardo Drubscky: Nós fizemos um gol muito cedo, e aí o Paysandu veio com uma volúpia muito maior. Antes do nosso gol o Paysandu já estava empurrando o nosso time para defesa. Com gol que eles tomaram, vieram com mais volúpia ainda, e não estávamos encaixando ali. O Kiss me dá muita tranquilidade no corredor com a marcação e com a saída de bola também, na transição de jogo. Errou algumas bolas na saída, foi infeliz, mas cumpriu muito bem o papel dele, que eu pedi: ‘Ocupa o corredor, ajuda o Henrique na marcação e se der para sair, vamos sair. Fez tudo bem, deu tudo certo e agora vamos pensar no próximo jogo.

Como trabalhar no desenvolvimento do time para o próximo jogo sendo que o Bragantino está sem treinador? (Nota da redação: Leo Condé, que já dirigiu o Tupi, deixou recentemente o comando da equipe de Bragança Paulista)

Ricardo Drubscky: Tudo é muito difícil. O Campeonato Brasileiro em qualquer divisão é muito difícil. Por incrível que pareça, eu sou um crítico do modelo do futebol brasileiro atual porque essa ansiedade pelo resultado que está à nossa volta tem atrapalhado a qualidade do nosso jogo. Isso, com os jogadores que nós temos no futebol nacional, faz com que todo jogo seja perigoso. O Bragantino na Série A2 do Campeonato Paulista chegou na beirinha de classificar, foi o segundo colocado na fase de classificação e no mata-mata, nessas coisas malucas do futebol, acabou ficando de fora. Vai ser um time ‘canchado’ de Série B. Então vamos ter que tomar muito remédio, parafraseando as frases do Levir Culpi (treinador do Fluminense), vamos ter que tomar muito remedinho para ficar tranquilo. Cada jogo vai ser uma guerra sem tamanho.

Qual a importância de um resultado como esse e da boa atuação do Glaysson para recuperar a confiança do jogador?

Ricardo Drubscky: O Glaysson na nossa conversa pós-jogo do Vasco assumiu, disse: ‘Eu errei, não devia ter saído do gol’. Isso já estava conversado. Isso é muito olho no olho entre a gente lá. Temos um grupo guerreiro, um grupo de jogadores que está buscando um espaço no cenário. Se começarmos a degladiar por questões técnicas, por uma falha ou outra… Os meninos não dão um problema extra-campo, estão todos tranquilos. O Glaysson é um cara fantástico como profissional, como ser humano, então é assim, errar nós vamos errar. O treinador vai errar em uma escalação, substituição, estratégia, um jogador vai errar numa ação, decisão. Sinceramente eu não tive nenhuma preocupação em recuperar o Glaysson porque não houve nenhuma queda de ânimo, nem nada. Vamos tocar esse barco. Quando tiver erro vamos passar por cima, e o Tupi vai buscar seu campeonato de uma maneira muito particular, vai fazer de cada jogo uma guerra tremenda, no bom sentido, e tomara que conquistemos os pontos que a gente precisar.

Hoje você viu uma evolução maior do que nos dois primeiros jogos?

Ricardo Drubscky: Não, não vi evolução, porque nós não fizemos o jogo que nós estamos nos propondo a fazer. Quero que o torcedor e vocês da imprensa entendam bem o que eu vou falar. O time hoje apresentou uma faceta para mim muito interessante, soube marcar, soube filtrar um time poderosíssimo que é o Paysandu. Eu digo aqui, sem querer ser a Mãe Dináh: eu acredito que esse time vai subir. Está cedo ainda, mas é um time ‘canchado’, tem torcida, é um clube grande. Nós soubemos marcar um time forte e poderoso como esse. E aliado a isso, surgiram jogadas de contra-ataque muito fortes nossas. No que nós estamos nos propondo a fazer, não evoluiu. O time foi muito guerreiro, marcou muito, mas eu quero um time que jogue mais, que saia mais jogando. O Recife entrou muito bem, aquela primeira bola que nós saímos da defesa, ele teve tranquilidade, pisou na bola, coisa que não estava acontecendo, acabou que fez um gol também, saiu com coragem. Então, eu sou muito crítico com a qualidade de jogo da nossa equipe e vamos sempre buscar melhorar.

O zagueiro Maicon, do São Paulo, rasgou elogios a você dizendo que é um profissional por sua causa. Como você recebe esse elogio?

Ricardo Drubscky: Depois podia depositar um pouco na minha conta né? (risos) Ele começou comigo na base do Cruzeiro, veio do Mamoré, até no extra-campo nós auxiliamos ele, até com os pais, aquele lado da gestão humana que a gente tem como treinador e como gestor. Ele chegou como volante e nós o encaixamos como zagueiro, o Enderson Moreira, hoje técnico do Goiás, me substituiu porque eu sai de treinador para diretor da base, o Enderson continuou dando esse suporte. Tivemos uma situação porque eu como coordenador do profissional, em um segundo momento, tinha que ir para Portugal fazer três jogos com atletas do Cruzeiro, fazer uma exposição desses jogadores. Jogamos contra o Nacional, contra o Vitória de Guimarães e o Braga. Ficaram seis ou sete jogadores no Nacional e o Maicon já disputou aquele campeonato, um ano depois foi para o Porto e virou esse Maicon.

  “Ninguém imaginava”

A presidente do Tupi, Myrian Fortuna, vibrou com o triunfo em noite especial: “É o aniversário do Tupi, e é o que o ele merece: estar na Série B, jogar bem e vencer. Ninguém imaginava que fosse ser uma goleada. Não tinha como ser melhor essa primeira vitória, ainda mais no dia do aniversário dessa instituição maravilhosa e centenária.

   Glaysson: conseguimos impor o ritmo

“Estou muito feliz de completar esses 104 anos com o Tupi. São 50 jogos vestindo a camisa do Tupi. Eu esperava que a gente conseguisse uma boa vitória para começarmos a somar pontos no campeonato e hoje equipe mostrou sua força. Sofremos um pouco no primeiro tempo, mas Série B é isso, jogos difíceis. No segundo tempo conseguimos, nos contra-ataques, matar o jogo.

Conseguimos impor o ritmo de jogo. Nossos contra-ataques encaixaram e fizemos os gols. Acho que foi a revanche que o torcedor queria. Temos que manter os pés no chão, é só o começo do campeonato. Fizemos bons jogos contra Goiás e Vasco, mas não conseguimos o resultado. Hoje a equipe se comportou bem, mas é apenas a terceira rodada. Vamos procurar ter foco porque, agora, temos uma batalha difícil contra o Bragantino.

Dado Cavalcanti, técnico do Paysandu: "Tomamos um gol logo no primeiro ataque do adversário, basicamente começamos o jogo perdendo"
Dado Cavalcanti, técnico do Paysandu: “Tomamos um gol logo no primeiro ataque do adversário, basicamente começamos o jogo perdendo”

Dado Cavalcanti, técnico do Papão: “Nada que eu disser aqui vai apagar esse placar”

Dado Cavalcanti: Não dá pra justificar um resultado tão elástico assim, sendo que a equipe fez uma boa partida. Tivemos posse de bola e tomamos cinco gols. Hoje a grande diferença foi a competência. Nós tivemos chances de empatar o jogo, não empatamos. Tomamos um gol logo no primeiro ataque do adversário, então basicamente começamos o jogo perdendo. Nossa equipe é muito técnica, roda bem a bola, mas estamos pagando um preço alto, principalmente, no quesito eficiência. Tivemos várias chances e o Tupi, nas que teve, fez todos os gols.

Nada que eu disser aqui vai apagar esse placar. Não digo atuação, mas o resultado. Não me recordo de ter tomado, em toda a minha carreira, uma goleada assim. Que fiquem ensinamentos, lições, para a gente usar durante a competição.”

 

Cobertura do Toque de Bola com reportagens de Cérix Ramon, supervisão e edição de Ivan Elias – Toque de Bola

Fotos: Toque de Bola

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Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

Este post tem um comentário

  1. Felicio Geraldo

    O Treinador está correto, pois este time ainda tem um meio campo fraco. Nenhum dos jogadores é meia de origem. Kiss e Hiroshi são segundo volante. O Jonatahn é atacante, onde ele jogou de meia o time foi rebaixado(Treze da Paraíba e Guarani) .
    O Tupi desprezou Mancini(meia atacante vice artilheiro do mineiro), Pipico, meia atacante do Macaé que foi para a série C com o Guarani e o Carlos Magno do URT, o Nadson destaque da Caldense, dentre outros.
    Time sem meia atacante e sem meia armador é time fraco e no final acaba lutando contra o rebaixamento.
    Só o Londrina contratou quatro meias esta semana.
    Se o tupi não trouxer pelo menos dois meias de qualidade, vai ser rebaixado, pois não basta ter este grande numero de volantes que o time tem.
    Vocês da imprensa poderiam estudar isto melhor e cobrar da diretoria estes jogadores. Obrigado.
    Geraldo.

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