Entrevista: Rafael Neves e uma bonita trajetória no jiu jitsu, competindo e ensinando

   Como professor, valores como disciplina, coragem, inteligência e auto- controle.

Como atleta, e também pensando no que transmitir aos alunos, a “experiência não só dos momentos bons, também dos momentos ruins, onde a gente tem que levantar a cabeça e continuar trabalhando nos pontos a serem melhorados, buscando novas técnicas, novos conhecimentos e melhorando nosso mental”.

Estas foram algumas das principais mensagens da reportagem do Portal Toque de Bola com o juiz-forano Rafael Neves Palermo, faixa preta 2º grau, que abraçou o jiu jitsu dando um tempo na Engenharia, morou e conquistou títulos importantes na Austrália e agora projeta nova etapa importante na carreira, os Estados Unidos.

 

  Depoimento exclusivo ao Toque de Bola

Conheça, a seguir, nas palavras do próprio Rafael, direto dos Estados Unidos e com exclusividade para o Toque de Bola, a sua trajetória como campeão e formador de novos atletas do jiu jitsu

“Sou faixa preta 2º grau pela escola Gracie Humaitá (a escola mais tradicional do Brasil talvez do mundo com 100 anos de existência).

Morei na Austrália durante dois anos e meio ensinando jiu jitsu para todas as idades. Me tornei um ótimo professor de crianças.

Acredito em ensino da arte marcial para crianças (4 a 10 anos) combinada com valores como disciplina, coragem, inteligência, auto controle, trabalho em equipe e hábitos saudáveis

As aulas devem ser dinâmicas misturado momentos de jogos baseados nos fundamentos do jiu jitsu com a prática do jiu jitsu de forma séria e saudável. O respeito entre os alunos, professores e tatame deve sempre estar em pauta, esse deve ser repetido pelas crianças fora da academia como o respeito aos irmãos, pais e casa.

Para crianças que se interessam em participar de competições, essas são direcionadas a aulas de competição onde devem trabalhar Drill (movimentos repetitivos de técnicas) e além de técnicas mais complexas.

Para as crianças que competem isso deve ser um desejo dela, não dos familiares ou do professor.

Pontos como especialização precoce e burn out devem ser observados de perto para serem evitados. O ponto deve ser ajudar na formação de futuros bom cidadãos a competição para crianças deve ser um meio e não o foco total de sua experiência no Jiu Jitsu.

Para crianças mais novas (3 a 5 anos), o foco deve ser a introdução ao esporte, uma aula muito divertida, de menor duração de tempo respeitando a capacidade deles.

Nessa aula faculdades básicas devem ser trabalhadas como equilíbrio, agarrar, torce e correr. As aulas podem ser realizadas com circuitos, brincadeiras simulando a movimentação dos animais e situações do jiu jitsu. De maneira geral a aula para crianças dessa idade é de forma bem lúdica com tudo alguns valores devem ser citados de forma bem livre com alimentação saudável, anti-bullying e leitura.

Estou ensinando Jiu-Jitsu por volta de uns 10 anos.

   Desde a faixa marrom, faixa roxa, eu já fazia, já substituía professores, já fazia aulas. Há alguns anos atrás eu recebi esse convite para ensinar Jiu-Jitsu lá na Austrália, então eu larguei a engenharia e fui para a Austrália.   Uma experiência muito boa, lá eu desenvolvi bastante o Jiu-Jitsu, melhorei bastante o meu Jiu-Jitsu pessoalmente quando eu comecei a dar o foco 100% da minha vida no Jiu-Jitsu.

A minha técnica melhorou muito, não só a minha técnica de Jiu-Jitsu, mas a minha técnica de ensinar, de transferir o conhecimento. Para os adultos, para os competidores, eu já estava mais acostumado, e daí eu recebi o desafio de ensinar as crianças, então eu acabei fazendo alguns cursos, a metodologia Winners.

Me ensinou bastante sobre dar aula para crianças, hoje em dia eu tenho um domínio bem legal sobre ensinar as crianças. Tenho bastante satisfação de dar aula para eles, é muito gratificante ver eles aprendendo, é muito importante. É o maior desafio de todos, é ensinar as crianças, é onde frustra muitos professores, acabam eles perdendo a paciência e é difícil manter as crianças entretidas ali para a aula, porque muitas vezes a criança não é ali a vontade dela de estar lá, é, quer jogar o videogame, quer fazer outras coisas e ela trazida, então não importa, você é o professor, você tem que fazer o ambiente.

Eu valorizo muito a entrega de valores da minha aula. A formação de futuros cidadões. Prezo muito por isso, não só bons competidores, boas pessoas, boas de liga do Jiu Jitsu, mas sim bons futuros cidadões, boas crianças, que aprendem os valores como a disciplina, o respeito, a educação, a coragem, os hábitos saudáveis e eles conseguem transmitir esses valores em casa também fora da atmosfera do Jiu Jitsu.

Eu fui campeão do ranking do Rio de Janeiro na minha faixa roxa e competi mais na Austrália. Depois da pandemia do Covid, em que competições foram canceladas, voltei com força total, tenho várias medalhas na Austrália.

As principais conquistas de Rafael Neves

Entre as mais relevantes, fui campeão nacional australiano da categoria médio máster, faixa preta do ano de 2024. Agora chegando em Santo Antônio, eu fui campeão. Da etapa do Naga, daqui é um campeonato americano bem grande, o Grappler Association, e ganhei Gi e Nogi, Nogi é o Jiu Jitsu sem kimono, só com a blusa e o short, não tem o kimono, é uma modalidade que tem crescido bastante, eu já consegui alguns bons resultados também no Nougui.

Os últimos tíitulos foram o Gui Nogue Naga e em Santo Antônio no Texas. Fui campeão nas duas categorias e o Australia National que eu fui campeão de Gui, de Kimono. Pretendo continuar competindo, buscando mais títulos. Isso é uma parte muito importante da carreira do atleta, do professor. Acho que é relevante o professor ser um professor que compete, ou que já competiu, que realmente teve a experiência para ele conseguir estar passando essa experiência para os seus alunos.

Alguém que já fez, não alguém só que leu sobre o assunto, mas alguém que fez já esteve lá nas competições, subiu no pódio, ganhou. Perdeu, vai conseguir falar melhor para os alunos passar essa experiência, não só dos momentos bons, também dos momentos ruins, onde a gente tem que levantar a cabeça e continuar trabalhando, trabalhando nos pontos a serem melhorados, buscando novas técnicas, novos conhecimentos, melhorando nosso mental, que é uma parte muito importante nas competições, mas também físico e mental com certeza tem que estar bem alinhado para um bom competidor.

O bom competidor tem que estar com o corpo bem, com a técnica afiada e com o espírito de luta em fogo, tem que estar com o espírito de luta bem, bem, bem flamejante, é isso que às vezes define quem é o campeão, quem tem mais raça, quem tem mais gana para lutar.”

 

Texto: Toque de Bola, com informações de Rafael Neves

Fotos: Divulgação

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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