Estevam: “Deixamos as peças nas partes certas. A parte técnica, física ainda não está igualada”

Alegria, alívio, confiança em dias melhores. este foi o treinador do Tupi, Estevam Soares, que a imprensa encontrou na sala ao lado do vestiário carijó, pouco depois da vitória alvinegra por 2 a 1 sobre o Bahia, na noite desta terça-feira, 21, pela 11ª rodada da Série B, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio.

Estevam orienta Hiroshi durante a partida contra o Bahia: trenador vê encaixe das peças na nova disposição da equipe em campo
Estevam orienta Hiroshi durante a partida contra o Bahia: trenador vê encaixe das peças na nova disposição da equipe em campo

Confira, abaixo, a íntegra da entrevista coletiva do treinador

  A partida: “Bom caminho”

Claro que a vitória é sempre boa. Estávamos buscando desde o primeiro jogo, em que poderíamos ter conseguindo. Acho que além de estarmos de parabéns, pela vitória e pelo time guerreiro, no primeiro tempo ainda erramos muitos passes. É uma equipe em formação. Tenho falado para eles [jogadores], batendo nas mesmas teclas, estou sendo repetitivo, mas são segmentos que precisamos ter. Posse de bola, por exemplo. Erramos muitos passes na saída de bola. Tomamos gol num descuido, acontece, mas no final do jogo vivemos um drama em função disso. Uma equipe que, taticamente, se espalha, perde o elã.

De qualquer maneira, temos que elogiar, pelo menos as quatro partidas que dirigi. Mesmo com as dificuldades que temos em todos os sentidos, eles têm sido guerreiros. Estamos em um bom caminho. Primeiro paramos de perder e agora veio a vitória. Isso nos dá um ânimo para nos encontrarmos no campeonato.

    Norte e Sul

O que encontramos aqui não é culpa de A, B ou C. Era a situação do clube, de total descrédito. Já se falava em rebaixamento, que a equipe não tinha condição de nada. Meu primeiro trabalho, desde o primeiro dia, foi o lado emocional. Recuperar os atletas e mostrar para os atletas que eles foram escolhidos para estar aqui. Falei com eles: se existe essa escolha, aproveitem essa oportunidade de disputar uma série tão valiosa como a Série B. Esse dia-a-dia com os jogadores, falando para jogarem porque daqui a pouco vão estar no Flamengo, Botafogo, faz bem. Não é demagogia. O que eu vi dentro desse elenco é um potencial muito grande. Temos jogadores de força, destruição, velocidade, toque de bola. Esse menino que entrou hoje [Rubens] fez uma partida sensacional, mesmo ainda cru. Às vezes era para ele correr para o norte e ele corre para o sul. Com o tempo vamos aperfeiçoando. Meu maior trabalho é motivar e depois descobrir os valores dos atletas e acho que as coisas estão caminhando.

  Mudança tática

Conversando com meus dois auxiliares, no primeiro dia, quando fomos definir o time que jogaria, mudamos a tática. Eles jogavam no 4-2-3-1 e passamos para o 4-3-2-1. Temos variado e acho que a equipe se encaixou nesse perfil. Ontem o Júlio, meu assistente, falou: estamos com uma formação que encaixou, deu certo. Então vamos bater em cima dela. Trouxemos o Kiss para trás e depois achamos esse outro lugar para ele, flutuando na frente. No quesito tático, foi a melhor coisa que fizemos. Deixamos as peças nas partes certas. Com isso tem a parte técnica, física, que ainda não está igualada.

  Hiroshi e desgaste das viagens

(Hiroshi) Passará por exame, mas a priori não é nada agravante. Isso é importante.

As duas últimas viagens que fizemos foram horríveis, até pela logística de Juiz de Fora. Sofremos muito com isso. O desgaste foi muito grande. Chegamos no domingo, teve a folga na segunda e já jogamos hoje. Ter quatro dias até o próximo jogo é importante para recuperarmos os atletas. Sábado já tem outra guerra esportiva. A preparação já começa agora. É questão de entrega. Se forem tomar quatro cervejas, tomem duas. Tem a hora de plantar e a de colher, agora é hora de plantar. Vai ter o dia que vamos fazer um churrasco e eu vou até pagar, vamos colocar samba, pagode, o que quiserem, mas agora é hora de se recolher e ficarmos todos juntos. Na reunião com eles, levei o que disseram na coletiva. Falei que fui questionado sobre comportamento e disse que não é hora disso. Eles entenderam e vamos caminhar.

   “Nem em Aparecida do Norte”

A vitória já estava madurando e talvez não estivéssemos preparados. A prova disso é o gol que tomamos hoje. Não pode tomar um gol, ganhando de 2 a 0, faltando 8 minutos para acabar, não entra. Criamos um clima de guerra, acho que nem em Aparecida do Norte teve tanta reza como aqui no estádio. Temos que evitar isso e evita-se com equilíbrio.

Vencer um dos favoritos da competição. Pode ser que os salários do Brocador e do Thiago [Ribeiro] paguem a folha do Tupi e ainda sobre. Mas esse não é o caso, se você se propuser a subir e foi o aconteceu. Encaramos o Bahia de igual para igual e para sábado não tem conversa. Não pensem que porque ganhou hoje, que sábado já está ganho. Não adianta subir um degrau e descer outro. Precisamos estar subindo.

 Primeira vitória

É gratificando, internamente, para mim. É uma coisa difícil de externar, mas foi muito forte para mim. Só eu sei as coisas que pensei na minha caminhada do meio de campo até aqui. São sentimentos que senti e não externei, joguei lá pra dentro. Isso tá (sic) fazendo parte da minha vida profissional. Eu já estava sem paciência com o futebol e surgiu essa oportunidade. Vim aqui para dar a vida, trabalhar. Nós temos que primeiro servir nosso escudo. Hoje o Tupi é nosso empregador. Em segundo, a individualidade de cada um. Eu tenho minha marca. Tenho que trabalhar para o Tupi e depois para o Estevam. Da mesma forma, os jogadores.

 

  Pressão da torcida

A pressão não pode existir. Eu virei para torcida [pedindo calma], porque para mim é diferente. Eu estou ali no banco, por isso entendo o que o Ricardo [Drubscky] falava.  O cara fica atrás do banco perturbando, mas o jogador não pode preocupar. Isso foi tema da nossa reunião, dei a palavra para alguns jogadores e o Hiroshi falou: “Rapaziada, no jogo passado sentimos muito”. Tem uma meia dúzia de torcedores que ficam perturbando e a gente se abateu. Temos que esquecer isso. Os atletas têm que ter cabeça fria e preocupar só com o campo.

 

Texto: Cérix Ramon, Toque de Bola, com supervisão e edição de Ivan Elias, Toque de Bola

Foto: Leonardo Costa e Felipe Couri/Tupi

O Toque de Bola é administrado pela www.mistoquentecomunicacao.com.br

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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