Apesar de seus apenas 22 anos, a nadadora juizforana Larissa Martins Oliveira, do Esporte Clube Pinheiros e 3º sargento do Exército Brasileiro, mostra dentro e fora das piscinas uma personalidade e confiança de quem traz consigo décadas de experiência no esporte. Larissa concedeu, em Juiz de Fora, entrevista exclusiva ao Toque de Bola, após participação de destaque no Campeonato Brasileiro Absoluto de Natação – Troféu Maria Lenk, com direito a cinco medalhas conquistadas, sendo três de ouro (200m, 4×200 e 100m livre), uma de prata (4×100 medley) e uma de bronze (4x50m livre), recorde sul-americano nos 200m livre e vagas no Pan, em Toronto, Canadá, e no Mundial de Kazan, na Rússia, agendado de 2 a 8 de agosto.
“O Maria Lenk foi uma competição muito boa para mim. Na verdade não consegui atingir todos os meus objetivos, nadei muito bem os 200m livre, mas nos 100m livre fiquei um pouco a desejar, embora tenha ganhado e conseguido vaga para o Pan e Kazan. Tive alguns erros de prova que talvez tenham sido o motivo de não ter obtido um resultado muito bom. Mas agora volto a São Paulo, resolvo minha situação para a próxima temporada e começo a treinar focando o Mundial”, avaliou Larissa, inicialmente.

Recorde sul-americano
O resultado histórico nos 200m livre não foi surpresa para a juizforana: “Vinha treinando muito bem, então sabia que poderia ter um resultado como este e principalmente nos 200m livre, porque foi uma temporada em que foquei bastante nessa prova. Esse recorde sul-americano era um pouco fraco e eu e a Manuella (Lyrio), que treina junto comigo, sabíamos que uma das duas ia acabar batendo o tempo. Não tínhamos certeza de qual, pois estávamos muito bem, mas consegui acertar melhor a prova e acabei sobressaindo”, revelou.
Olimpíadas
Larissa não esconde que seu principal objetivo é a vaga no Rio, em 2016. Para que isto possa ser concretizado, a atleta mineira precisa de atuações impecáveis em seletivas olímpicas, que ainda não foram divulgadas oficialmente: “Lançam um boletim falando quais serão as competições que terão seletivas olímpicas. Na última disputa que tive, na França, já fizemos uma reunião com o pessoal da Confederação Brasileira e eles anteciparam para a gente que o Finkel, o Open e o Maria Lenk do ano que vem seriam seletivas olímpicas. A única coisa que eles não deram certeza seria o Mundial. Até alegamos que não seria muito justo ter no Finkel e não no Mundial, porque quem disputa o torneio fora provavelmente não poderá participar do Finkel, que acho que ocorre uma semana depois”, explicou Larissa.
Sem o conhecimento oficial das provas que valem vaga para o Rio-2016, a juizforana tem pela frente o Pan, em julho, e o Mundial, em agosto: “O objetivo principal nessa temporada é o Mundial de Kazan, porque é uma competição mais forte e existe ainda uma chance de ser seletiva olímpica”.

Base em Juiz de Fora
Instituto Granbery, Clube Bom Pastor, Botafogo e Corinthians. O início de Larissa no esporte passou por representações destas equipes em piscinas da Manchester Mineira. Ao ser questionada sobre sua trajetória, a atleta lembra com carinho de todos:
“Aprendi a nadar no Granbery com a professora Ana Carla. Fiz todos os níveis lá e a ela veio falar para a minha mãe que eu gostava e que não teria futuro ali, porque era mais uma escolinha mesmo, me indicando a ir ao Clube Bom Pastor, porque tinham competições. Fui para o Bom Pastor e fiquei em torno de três anos, até ir para o Botafogo, ainda treinando com o Gerson (Professor Gerson Moreira de Oliveira), meu professor no Bom Pastor. Foram quase quatro anos no Botafogo e então fui para o Corinthians, começando minha vida profissional. Fiquei dois anos até terminar meu terceiro ano na escola, quando decidi ir para São Paulo treinar pelo Pinheiros. Sempre treinei em Juiz de Fora, só saí da cidade quando fui para o Pinheiros”, relembrou.
Opção pelo Pinheiros
Ao elogiar o atual clube e motivar sua escolha, Larissa fez questão de lamentar o panorama estrutural do município mineiro: “Juiz de Fora, até quando estava aqui, infelizmente era uma cidade que não suportava esporte de alto rendimento. Não tem estrutura, apoio. Como eu realmente gostava e queria a natação para minha vida, fui buscar uma cidade que tivesse tudo em alta excelência. Foi quando optei para ir ao Pinheiros, que é o melhor clube do Brasil”, opinou. No Troféu Maria Lenk, a equipe de Larissa foi campeã geral tanto no feminino, quanto no masculino.
Os novos ares foram necessários, mas a nadadora admitiu dificuldades durante o processo, naturais em qualquer transição: “Toda mudança é muito difícil, mas quando temos um sonho muito grande temos que abrir mão de muitas coisas em busca dele, então não tinha muita escolha. Ou seguia atrás do meu sonho, que é participar de uma Olimpíada, ou ficava em Juiz de Fora e não conseguiria ficar atrás desse sonho”.
Rotina pesada e estudos
Larissa teve de pausar os estudos no ensino superior por conta da dura carga de treinos: “Comecei a faculdade de Direito, mas tive que trancar. Minha rotina é a de dois treinos por dia mais a musculação. Cada período na água dura cerca de duas horas e mais uma hora e meia de musculação. Sábado tenho apenas um treino e domingo é off. Até 2016 não penso em voltar para a faculdade, apenas focar na natação”, contou.

Pés no chão…
Repleta de ambições, a atleta local mostra não se vislumbrar com as conquistas e não se abalar com os tropeços, voltando as piscinas para aprimorar a forma e corrigir os erros: “Tenho uma personalidade meio forte, sou muito crítica. Sei que alguns resultados para mim não são bons e não me fazem chegar onde quero. Então não tenho medo de reconhecer que está ruim e que preciso de treinar mais. Às vezes, quando acontece alguma coisa que não gosto, me cobro muito porque quero demais estar em uma Olimpíada. Sei que se ficar vacilando, ficar passiva e deixar as coisas irem acontecendo, não vou chegar nunca lá”.
… e aqui é trabalho!
Ao mencionar o fator sorte e possíveis superstições, Larissa é enfática: “Não acredito muito em sorte. Acho que se você treina e acredita em seu potencial, dá o máximo, isso é fruto do seu trabalho”.
Conselho
Mesmo com a fase adulta ainda no início, a revelação brasileira da natação já é espelho para os jovens que almejam carreira de sucesso no esporte. À estas pessoas, Larissa pede persistência: “O que eu posso falar é que se você gosta, não pode desistir. Tive várias pedras no caminho, pessoas que diziam que não ia dar por isso ou aquilo, mas nunca desisti. Sempre acreditei em mim e tive certeza de que poderia chegar lá. Por essa minha autoconfiança, consegui chegar onde estou hoje”, finalizou.
Texto: Bruno Kaehler – Toque de Bola
Fotos: Site Bestswimming, Zimbio e Satiro Sodre/AGIF
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