“Me sinto altamente preparado para o desafio, que é grande e audacioso, além de ser aquilo que eu entendo ir ao encontro dos meus objetivos no momento atual”. Usando estas palavras e ressaltando o desejo de uma relação saudável e respeitosa com a imprensa, o novo treinador do Tupi, Leston Junior, iniciou o primeiro contato com os jornalistas no novo cargo, pontualmente ao meio-dia desta terça-feira, 24, na sede social do clube. A princípio, o novo comandante fica até o fim do Mineiro, com permanência para a Série C apalavrada.
O evento contou com a presença de membros da diretoria carijó, caso da presidente Myrian Fortuna e do vice do Conselho Gestor, Cloves Santos, e também de toda a comissão técnica permanente do Alvinegro juizforano.

O novo comandante do Tupi, com passagens pela base de Cruzeiro, América e Bahia, além de trabalhos já no profissional de equipes como o Guarani (MG) e o Madureira (RJ), deixou claro que irá priorizar as duas partidas restantes do Campeonato Mineiro, contra o time de Divinópolis e a URT, em busca de uma vaga na Copa do Brasil de 2016, objetivo traçado pela direção carijó, passando, de forma subsequente, a pensar em uma reformulação de elenco para a terceira divisão do Campeonato Brasileiro. A primeira atividade com o grupo foi marcada para a tarde desta terça-feira.
“Em um primeiro momento devemos avaliar bem tudo o que foi feito. Venho realizando isso desde ontem (segunda-feira, 23) de manhã, analisando todos os jogos, conversando muito com a comissão técnica efetiva do time e com aqueles que envolvem o clube de um modo geral. Mas no futebol não dá para desassociar as coisas. É um momento de observação, mas o clube está em uma competição e, como foi bem dito pela direção, ainda há um objetivo e como profissional temos que buscar conquistá-lo”, declarou o técnico.
Nova etapa profissional
Leston definiu a nova página de sua carreira, revelando, ainda, um dos motivos a aprovar o convite do Tupi: “É um grande desafio. Um clube que tem uma representatividade muito grande, de uma cidade de um porte muito interessante e uma torcida apaixonada. Mas acima de tudo, de projetos ambiciosos. É um clube que tem a ambição de brigar pelo acesso, no segundo semestre, para a Série B do Campeonato Brasileiro e isso motiva e desafia todo e qualquer profissional. Não tenho dúvida de que é um momento especial e espero dentro disso não medir esforços, com todos, porque o futebol é multifatorial, para que a gente possa comemorar esse sonho e objetivo com todos os torcedores”.
O profissional Leston Junior
Ao torcedor, o novo comandante carijó se apresentou, revelando algumas ideologias para uma futura remontagem de elenco, se necessária: “No futebol não dá para fugir muito do que se vê todo dia. Você precisa de um equilíbrio entre os setores. Não tenho como ideia e conceito de futebol que o melhor ataque é só o ataque, por exemplo. A melhor formação, ideia de jogo, é um equilíbrio: uma equipe que marque bem, mas que quando tenha a bola use a característica de seus jogadores. Essa ideia que temos de futebol passa também por um processo de reformulação quando for acontecer, porque hoje eu preciso é extrair o melhor desse grupo que aqui está usando as características de cada atleta. De repente pode fugir um pouco do que tenho de preferência, porque preciso respeitar a característica individual do atleta. É um processo que não é tão rápido assim, precisamos ter esse entendimento do elenco, procurar uma formação que, dentro do que precisamos nesses dois jogos, possamos fazer grandes partidas e na sequência, com um tempo um pouco maior, realizemos as alterações necessárias para formar uma equipe mais próxima dos conceitos que tenho no futebol”, analisou.

Como o Tupi, vaga na Série B ficou no quase em 2014
No comando do Madureira pela Série C de 2014, Leston foi eliminado nas quartas de final, assim como o Tupi, o que, como revelou o treinador, foi um motivo para sua decisão de aceitar a proposta da cúpula carijó: “Além da tradição e de eu entender o que o Tupi representa no cenário nacional, esse também foi um dos grandes motivos que me fizeram aceitar o convite da direção. Porque também fiquei com uma pontinha de frustração muito grande no final do ano passado, porque a Série C é um campeonato muito duro e quando você chega em uma condição como a do Tupi e a minha profissionalmente, no Madureira, e de repente você não consegue o acesso no mata-mata, fica um pouco dessa frustração. Mas espero que esse casamento traga essa recompensa para todas as partes”.
Primeiro passo: fim da oscilação
Mesmo com pouco tempo de trabalho, Leston já tem foco traçado em seu trabalho com o atual grupo: “A equipe do Tupi tem bons jogadores. Sobre a oscilação, para quem conhece o Campeonato Mineiro, sabe que é normal. É um torneio muito equilibrado. A equipe oscilou em alguns momentos e nosso primeiro passo é tentar fazer que isso não aconteça, por mais que a gente saiba que isso é muito trabalhoso, porque na mudança vem uma alternância de conceito. O futebol não é visto por todos de uma mesma forma. Vamos procurar colocar essa nossa visão para os atletas e já ter no domingo uma equipe mais equilibrada, no emocional e na parte tática”, projetou.
Estreia
Em sua primeira partida no comando do Tupi, Leston Junior terá pela frente um adversário que já treinou e conhece muito bem: o Guarani de Divinópolis. O jogo, fora de casa, ocorre no domingo, 29, às 16h, pela décima rodada do Estadual, e, pela possibilidade de rebaixamento da equipe do oeste mineiro, o comandante do Galo já imagina o clima que irá encontrar.
“Primeiro vamos enfrentar um time que é muito melhor do que a pontuação dele. Segundo é saber que vamos encontrar um adversário que terá a cidade toda mobilizada porque é a última cartada deles. Uma vitória nossa rebaixa o Guarani. Então há um grau de dificuldade muito grande, mas temos que saber tirar proveito disso. Ano passado tivemos aqui em Juiz de Fora com o Guarani e conseguimos livrar eles de uma situação bem parecida, onde surpreendemos o Tupi em uma diferença de tabela muito grande. E não podemos permitir que isso aconteça. Temos que fazer um grande jogo, organizado e equilibrado, para que a gente consiga a vitória”, avaliou o treinador.
Chances de rebaixamento
Mesmo que improvável, as chances matemáticas de descenso do Tupi existem. Para Leston, a situação deve ser encarada de forma positiva para que o perigo seja, de fato, eliminado: “Essa questão matemática do futebol faz com que a possibilidade exista, mesmo que remota, mas acredito que não devemos pensar assim. Entendo que temos de ser entusiastas, e não otimistas. Otimista é quem acredita que a coisa pode acontecer e entusiasta é a pessoa que faz a coisa acontecer e quero acreditar que o grupo esteja muito disposto a acabar de vez matematicamente com qualquer questão sobre esse aspecto”.
Texto: Bruno Kaehler
Fotos: Toque de Bola