Natural de Juiz de Fora, Alexandre Hill Maestrini é hoje o assessor especial de hospitalidade do gabinete do prefeito de Belo Horizonte e coordena as operações da cidade para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Sua função na Secretaria Extraordinária é receber as delegações estrangeiras e coordenar os preparativos nas áreas de mobilidade, saúde, segurança e telecomunicações para que a Copa do Mundo seja um sucesso em Minas Gerais.
“Baixinho”, como é conhecido desde seus tempos de jogador de vôlei por sua estatura elevada, enviou ao Toque de Bola as informações sobre o evento que está denominando de Flash Mob Aeroportos JDF. O objetivo é alertar para a importância do aeroporto para a economia de Juiz de Fora e região, com ênfase, nesta época, do que poderia representar um aeroporto em condições suficientes para que a cidade pudesse receber, por exemplo, delegações que virão ao Brasil para a Copa do Mundo em 2014 e para as Olimpíadas em 2016.
O que é o Flash Mob?
Maestrini: “O Programa é meio espontâneo e aleatório. Sugeri o seguinte:
Evento: FLASH MOB Pró Aeroportos JDF
Objetivo: Simulação de um dia de muito movimentado no Serrinha e chamar atenção das melhorias necessárias no transporte aéreo de JDF
Onde: Aeroporto da Serrinha
Quando: sábado, 30
Horário: entre 10h30 e 11h10
Traje: participantes vestidos de viajentes com mala
Programa básico do dia 30.11.2013:
07h nota no jornal sobre o FLASH MOB
08h – 10h: Usuários do grupo convidando novos usuários para o FLASH MOB e entrarem no grupo
10h30 todo mundo chegando ao mesmo tempo e:
1) se misturando com os passageiros
2) pedindo informações
3) usando o único banheiro existente
4) perguntando informações
5) tomando café e usando a pequena cafeteria
6) usando o estacionamento
7) usando os poucos táxis
8) cantando música na sala de embarque
9) marcando eventos paralelos no estacionamento
10) encontros de Motoqueiros, Skatistas e outros
11) Personal trainer marcando encontro no estacionamento do Serrinha
12) Qualquer ideia espontânea será bem vinda!
10h40: Chegada do voo 4352 de Campinas
10h41 Mídia cobrindo o evento, pessoas filmando de vários ângulos e postando no facebook, youtube e twitter
10h50 Alguma rádio transmitindo ao vivo do Serrinha
11h10 Saída do voo 4351 para Campinas
Domingo dia 1°/12
Re-twitters, Curtidas no Facebook, Vídeos no Youtube, cobertura da mídia e divulgações de vídeos e entrevistas profissionais e amadoras.
Conquistar novos membros para o grupo”
Outras considerações do “Baixinho”:
“As pessoas podem resolver somente ir tomar um café ou cantar uma música no saguão do aeroporto. Mas o objetivo deste grupo é despertar para a grande sede e demanda que JF tem por voos(…) Queria sacudir JF com a simulação de um dia de muito movimentado no Serrinha e chamar atenção das melhorias necessárias nas infraestruturas do aeroporto para quem mais companhias venham para a cidade. Precisamos de voos para Brasília e mais voos para Confins. No futuro com a demanda aquecida, mais voos para Congonhas e Galeão. Se o Aeroporto da Serrinha receber investimento na infraestrutura, as companhias aéreas irão ter confiança na cidade. A atitude da população e do poder público é importante. (…)
É bem possível que por falta de aeroporto decente, nenhuma seleção escolha JF para sua base de treinamento. Isto é uma grande lição: Não adianta estar perto geograficamente do Rio. Chega-se de BH mais rápido no Rio que de Juiz de Fora. Esta realidade só muda com transporte aéreo.
Uma cidade que quer desenvolver o setor de eventos e o setor empresarial, não pode depender do carro. Precisamos de voos diários para os principais destinos de tomada de decisão do Brasil. Senão corremos o risco de um empresário de BH ir fechar negócio com outro do Rio e passar voando por cima de Juiz de Fora.”
Alexnadre Maestrini também enviou ao Toque de Bola um artigo em forma de pergunta e resposta
“A Copa precisa de Aeroportos”
Quais são os maiores desafios da Secretaria da Copa de Belo Horizonte para a Copa?
Como Belo Horizonte já mostrou que sabe fazer uma Copa das Confederações e tendo em vista que Belo Horizonte já realiza jogos de futebol de grande porte como a final da Libertadores, finais de Campeonatos Mineiros, a cidade está bem preparada para receber os seis jogos da Copa do Mundo. Para 2014 os maiores desafios serão a imprevisibilidade das manifestações populares legítimas e a ação de possíveis aproveitadores do momento Copa para reivindicarem seus direitos a muito não correspondidos. Porém os esforços conjuntos em Minas estão sendo feitos para que haja a coordenação de todas as forças policiais em prol de uma Copa sem distúrbios onde o foco será o esporte.
Hoje uma deficiência das grandes cidades é a área da mobilidade urbana.
Nesta área da os maiores desafios para as cidades sede será levar e retirar mais de 60 mil pessoas dos estádios com tranquilidade via transporte urbano. Em Belo Horizonte o meu trabalho junto a BHTRANS é fomentar a coordenação dos diversos modais como BRT, transportes especiais, ônibus urbano e intermunicipal, aeroportos, metrô, taxis, vans e fretados, bem como as centenas de carros e ônibus da FIFA com seus convidados. Lembrando que os 5 primeiros jogos das fases iniciais iniciarão às 13 horas, hora de pico das cidades. Em BH estamos promovendo a interlocução entre todos os responsáveis pelos diversas empresas de transporte no sentido de integrar os planos de mobilidade e comunicação. Por exemplo, nos dias de jogos da Copa uma pessoa que mora numa cidade vizinha a BH vai poder deixar o carro em um estacionamento da última estação do metrô destinada para este fim, pegar o metrô até uma estação próxima ao Mineirão e de lá partirá um ônibus circular para o estádio. Os últimos 800 metros serão completados a pé e para pessoas com deficiências será oferecido transporte especial até a calçada do estádio.
Quais medidas estão sendo tomadas no setor de telecomunicações para 2014?
O principal compromisso assumido pela cidade sede era o de prover o Mineirão com fibra óptica redundante, isto é duas fibras chegado no estádio para garantir as transmissões da FIFA. Por Belo Horizonte ter sido a primeira cidade da Copa das Confederações e terminar e testar as fibras, a cidade foi escolhida pela FIFA para ser o centro de mídia do evento teste de 2013. Em 2014 o centro de mídia será no Riocentro. Estou ainda coordenando um projeto de oferecer wi-fi gratuito por duas horas por dia no principais pontos turísticos da cidade. Supervisiono ainda o projeto junto ao órgão de trânsito e informática da prefeitura para que os bancos de dados dos GPS estejam atualizados e funcionando sem erros de numeração e circulação viária.
Qual a ligação que você faz entre aeroportos e grandes eventos e porque a Copa precisa de aeroportos?
Os mega eventos estão cada vez mais atraindo pessoas de diferentes partes do mundo. A copa do mundo será uma copa aérea. As distancias entre as cidades são enormes e pelo modelo do evento com 12 cidades sede, um seleção pode jogar um jogo em Porto Alegre e outro em Manaus. Por isso afirmo desde 2010 que o avião será o ícone desta Copa. Como Juizforano gostaria de ver a cidade entrar no circuito da Copa ou recebendo uma seleção para pré temporadas, montando na cidade sua base de treinamentos ou hospedando jornalistas e turistas que não acharão acomodações no Rio e São Paulo. Muito se diz que Juiz de Fora tem uma posição estratégica privilegiada entre grandes centros, porém sem aeroportos fica mais fácil sair do Rio de avião e ir dormir em Vitória, São Paulo ou Brasília do que ir de carro ou ônibus do Rio para Juiz de Fora. Hoje Belo Horizonte já está no radar dos turistas e jornalistas para ser cidade dormitório e central de várias agências de notícias por existir na cidade condições de hospedagem excelente, aeroporto internacional com conexões para as outras 11 cidades sede e que não fecha por condições metereológicas.
Você criou recentemente o grupo no Facebook DECOLA JF. Qual foi a sua motivação?
Estando dentro do processo da Copa e ser de Juiz de Fora, percebo com pesar que a Copa estará passando por cima da cidade. Esta indignação pela falta de aeroportos e sabendo das inúmeras oportunidades que a cidade está perdendo nos setores hoteleiros, de serviço, de turismo, de viagens entre outros me levou a criar o grupo. Sei que hoje a cidade te tudo para decolar, mas sem aeroportos com instrumentos modernos e vias de acesso rápidas não vamos atrair empresas aéreas para montarem suas conexões em Juiz de Fora. Meu objetivo com este grupo é oferecer uma plataforma para as pessoas que compartilham da mesma ideia e sensibilizar autoridades e empresas de aviação para o enorme potencial de negócios e desenvolvimento e as incríveis oportunidades que a cidade está perdendo, por exemplo com a Copa e as Olimpíadas.
Quais as oportunidades econômicas para Juiz de Fora com as Olimpíadas?
Diferentemente da Copa, as Olimpíadas é um mega evento de dimensões muito maiores. Mais esportes, mais atletas, mais dirigentes, mais jogos, mais repórteres, mais turistas e por consequentemente mais dinheiro e necessidades de serviços. O grande diferencial é que nas Olimpíadas a cidade realmente está num raio do Rio de Janeiro e pode ser influenciada pela cadeia produtiva que será necessária para suprir as demandas deste mega evento. Os orçamentos das Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016 estão previstos em mais de 16 bilhões de dólares e os especialistas acreditam que a indústria esportiva no Brasil irá triplicar seu tamanho nesse período. Historicamente as cidades de Minas próximas as Rio já supriam a Corte na época do Império, espero que os setores público e privado se unam em prol da cidade. Minha visão é que seja montada uma coordenação local nos moldes que foi montada pelo prefeito de Belo Horizonte no sentido de fomentar a economia e preparar a Juiz de Fora e Região para fornecer para a capital do império esportivo de 2016 tudo o que for necessário.
Maestrini: evento no Aeroporto busca mobilização, com foco também no esporte : http://t.co/DzeOul0xmF