Ministério Público pede multa de R$ 56 milhões à CBF e indenização por ingressos e pay-per-view

  O Ministério Público de São Paulo – MPSP – anunciou na tarde desta quinta-feira por meio do promotor Roberto Senise Lisboa que protocolou uma ação civil pública pedindo à Justiça a anulação dos julgamentos do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva – STJD – que determinaram a queda da Portuguesa à Série B do Campeonato Brasileiro, além do pagamento por parte da CBF de R$ 56 milhões e do dobro dos valores gastos pelos torcedores de Lusa e Flamengo em ingressos e em pacotes de pay-per-view de jogos do Brasileirão-2013.

Os dois clubes foram punidos com a perda de quatro pontos cada um na competição graças às escalações irregulares do meio campista Héverton, da Portuguesa e do lateral esquerdo André Santos, do Flamengo. Com a suspensão, o time paulista acabou relegado ao grupo dos quatro piores que são rebaixados.

Torcedores da Portuguesa
Torcedores da Portuguesa

O MP se baseia no Estatuto do Torcedor para afirmar que a CBF deveria ter publicado a decisão das suspensões dos atletas pelo Tribunal de Justiça Desportiva – TJD – em seu site oficial antes que fossem disputadas as partidas em que eles acabaram sendo escalados.

Sendo assim, o órgão público pede que a CBF seja obrigada a revisar a perda de pontos das duas equipes sob pena de multa diária de R$ 500 mil reais até o efetivo cumprimento da decisão e que a entidade revise todos os atos de organização e administração do Campeonato Brasileiro de 2014, de 2015, 2016 e 2017 levando em consideração a classificação do Brasileiro de 2013, sem a perda dos pontos de Lusa e Fla, sob a mesma pena de R$ 500 mil.

O pagamento da multa de R$ 56 milhões diz respeito à reparação de danos morais sofridos pelos torcedores pela “alteração ilegal da tabela da Série A” e corresponde à metade dos valores arrecadados por Portuguesa e Flamengo pelos direitos de transmissão do Brasileirão de 2012. Esse valor seria revertido para o fundo de direitos difusos, usado para proteção dos direitos dos consumidores – inclusive de práticas esportivas – e demais interesses difusos e coletivos, como interesses ambientais e urbanísticos.

Também por danos morais se justifica o pagamento do dobro dos valores gastos pelos torcedores de Lusa e Flamengo em ingressos e em pacotes de pay-per-view.

O promotor Roberto Senise acredita que entre dois a sete dias a Justiça emita uma decisão sobre o pedido do MP, obrigado ou não a CBF a restituir os pontos perdidos pelos clubes e a pagar os valores citados.

Ele citou o caso da Máfia do Apito do Campeonato Brasileiro de 2005, envolvendo jogos manipulados pelo árbitro Edilson Pereira de Carvalho, como exemplo de que como este novo episódio pode se arrastar. A CBF e a Federação Paulista de Futebol só foram condenadas a arcar com pagamentos de R$ 20 milhões e R$ 4 milhões, respectivamente, em 2013.

Ainda segundo o promotor, a Justiça pode determinar apenas a restituição dos pontos de Portuguesa e Flamengo, isentando a CBF do pagamento das multas. O inverso, contudo, não deve ocorrer.

Senise lembra que as investigações sobre as suspeitas de que alguém teria pagado a dirigentes da Portuguesa para que Héverton fosse escalado propositalmente de forma irregular continuam e não têm qualquer influência sobre a ação civil pública apresentada nesta quinta-feira.

Texto e informações: site da ESPN Brasil

Foto: Arquivo Toque de Bola

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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