Mogi Mirim e Real Garcilaso são multados por insultos racistas de torcedores

Após serem analisados os casos de racismo realizados por torcedores de Mogi Mirim e Real Garcilaso, do Peru, as entidades responsáveis pelos julgamentos, Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo e Conmebol, optaram por penas brandas às equipes, divulgadas nesta segunda-feira, 24.

O Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo multou o Mogi Mirim em R$ 50 mil por conta dos insultos racistas de torcedores do clube do interior paulista ao volante Arouca, do Santos. A decisão foi divulgada na noite desta segunda-feira. Na sentença, o tribunal também manteve a decisão da Federação Paulista de Futebol de proibir provisoriamente partidas no estádio Romildo Ferreira.

Arouca foi chamado de “macaco” em Mogi Mirim. Segundo as rádios, o grito teria partido de três torcedores que estavam nas arquibancadas do estádio em Mogi. A ofensa aconteceu quando o volante dava entrevista após a vitória. Ele ameaçou acionar a Polícia Militar, mas recuou.

Volante Arouca, do Santos, foi chamado de "macaco" por torcedores do Mogi Mirim
Volante Arouca, do Santos, foi chamado de “macaco” por torcedores do Mogi Mirim

A punição ao clube paulista foi divulgada no mesmo dia em que a Conmebol anunciou uma multa de US$ 12 mil (cerca de R$ 28 mil) ao Real Garcilaso, do Peru, por conta dos insultos racistas de torcedores ao volante Tinga, do Cruzeiro, durante jogo pela Libertadores. Em um comunicado, a entidade reafirmou seu compromisso de combater qualquer forma de discriminação nas competições.

A decisão foi tomada de forma colegiada pelo Tribunal Disciplinar da Conmebol, que optou por uma pena mais branda. A entidade afirmou que em caso de reincidência, o Garcilaso terá que atuar com portões fechados.

“A Conmebol reitera seu compromisso de combater qualquer forma de discriminação e atos racistas em suas competições. Reforçamos a vigilância das equipes arbitrais e dos delegados das partidas para advertir e denunciar este tipo de infração”, escreveu a Conmebol na mesma nota.

Tinga criticou o fato da Conmebol ter apenas multado o time peruano: “Poderia ser 100 mil dólares, 200 mil dólares. O número não vai mudar nada. Mas a punição deveria fazer o clube entrar em uma ação ou um projeto contra este tipo de atitude. Seria muito melhor fazer o clube produzir algo positivo e não negativo.”

Meio-campista do Cruzeiro, Tinga, entrega camisa para presidente Dilma Roussef, em encontro após episódio de racismo
Meio-campista do Cruzeiro, Tinga, entrega camisa para presidente Dilma Roussef, em encontro após episódio de racismo

O volante do Cruzeiro, foi alvo de gestos racistas por parte da torcida do Real Garcilaso na noite de 12 de fevereiro, na derrota do time mineiro por 2 a 1 no Peru em sua estreia na Libertadores. Na ocasião, Tinga entrou em campo no segundo tempo e, sempre quando pegava na bola, era hostilizado pelos torcedores, que faziam gestos e sons imitando macacos.

Texto da UOL Esportes

Fotos: Santos e AFP Photo

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

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