
Eram quase duas da manhã, hora da Noruega, dez da noite em Juiz de Fora, quando o Toque de Bola conseguiu conversar com o juiz-forano Thiagus Petrus.
Há quinze anos na seleção brasileira de handebol, o atleta com várias conquistas, coletivas e individuais pelo Barcelona, da Espanha, ainda estava emocionado, com a adrenalina em alta e tentando dormir depois da vitória sobre a Suécia, por 27 a 24, na tarde desta sexta-feira (24), em Oslo, na Noruega, que faz história.
É a primeira vez que o Brasil vai disputar as quartas de final do Mundial de handebol masculino. Foi o primeiro triunfo brasileiro diante da tradicional equipe nórdica em uma competição oficial. E mais: a classificação veio com uma rodada de antecedência. Vai enfrentar a Espanha domingo, às 14h (de Brasília) assegurado na próxima fase, seja qual for o resultado.
Em seu depoimento ao Toque de Bola, Thiagus lembrou de sua primeira participação em um Mundial pela seleção brasileira, quando falar em chegar entre os oito melhores times do mundo ainda era algo visto como “muito longe”.
Fala, Thiagus!
Quantidade de emoções! Jogo sensacional
“Agora com um pouco mais de tempo, já passou algumas horas, ainda não consegui dormir, vai dar vinte para as duas horas da manhã. A tensão ainda `tá grande, a explosão, tudo. A quantidade de emoções é bem difícil. No meu sétimo mundial, se eu não me engano, acho que são seis ou sete, uma coisa que no meu primeiro mundial, se alguém falasse que a gente ia conseguir chegar em umas quartas de final, eu não ia acreditar, eu falava depois do meu primeiro mundial “tomara que a gente consiga”, estava muito longe.
E hoje (sexta-feira, dia 24) a gente conseguiu provar que depois de 15 anos que eu estou na seleção, que a gente está perto e a gente conseguiu! E cada dia é mais difícil. Estamos num nível bom para ajudar e é sensacional o jogo hoje. O Rangel nosso goleiro foi fundamental. O cara que faz uma estatística que ele teve, só tem muito a falar dele, do trabalho que a gente fez na defesa mas no final é ele com ele mesmo. Então a gente está bem feliz”.
(nota da redação: Rangel somou 20 defesas na partida, um aproveitamento considerado espetacular de 47,6%).
Passo gigante para a modalidade no Brasil
Thiagus também comentou o fato de estar há tanto tempo na seleção e desfrutar agora deste momento positivo na modalidade.
“É bastante sacrifício mas isso é o esporte e infelizmente o pessoal só vê quando as coisas vão bem. Os outros seis mundiais que eu fui, quase não teve nenhuma repercussão e agora a gente está conseguindo ganhar. Menos vocês (Portal e redes sociais toquedebolajf), porque você sempre acompanhou. Desde sempre estão me seguindo, a gente conversa, fala tudo, então pelo menos para Juiz de Fora e região eles têm me acompanhado bastante.
E para a modalidade é um passo gigante! E eu espero que isso se converta em alguma coisa boa. Que possam fazer mais times, mais investimentos e que a gente possa ter mais atletas porque pra seleção atual ou pelo menos para os próximos quatro anos, cinco anos não vai mudar tanto mas depois a gente possa ter alguma renovação, algum talento que possa sair desse mundial com essa expectativa assim”.
Esta é a 17ª participação do Brasil em Mundiais de handebol masculino. A melhor participação da seleção até então era o nono lugar, obtido em 2019.
Campanha
Os resultados do Brasil são os seguintes
Primeira fase
Brasil 29×26 Noruega
Brasil 26×30 Portugal
Brasil 31×24 Estados Unidos
Segunda fase
Brasil 28×24 Chile
Brasil 27×24 Suécia
Domingo, dia 26 – 14h (de Brasília)
Brasil x Espanha
Caso seja líder, o Brasil vai enfrentar a Alemanha nas quartas de final. Caso seja segundo colocado, a seleção terá que duelar contra a Dinamarca, atual tricampeã mundial e campeã olímpica.
Texto: Ivan Elias – Toque de Bola – com informações das agências e do site da Confederação Brasileira de Handebol
Artes: peças de divulgação publicadas pela Confederação Brasileira de Handebol, página 7m Handebol e parceiros
