Tupi faz balanço do Mineiro para definir futuro

  O campeonato mineiro chegou ao fim para o Tupi. Após a derrota para o Cruzeiro, por 2 a 0, com transmissão especial da rádio web do Toque de Bola, o Carijó agora acalma os ânimos e passa por um momento de reflexão e definição do restante da temporada.

  O Tupi, criticado por uns, exaltado por outros, terminou a competição em quinto lugar, com 15 pontos conquistas, com chances de classificação até a última rodada do estadual. Após formação de um novo grupo, o primeiro objetivo do alvinegro juiz-forano era fugir do rebaixamento. Com a boa campanha, o clube passou longe da zona da degola e quase beliscou uma vaga para o quadrangular final.

  Houve um almoço nesta segunda-feira, 22, entre o presidente Áureo Fortuna e os gestores do futebol  profissional do clube, Francis Mello e Alberto Simão.

    Francis declarou que a resposta sobre sua permanência em Santa Terezinha será conhecida, com certeza, até o final da semana.

  Quanto ao outro gestor, Alberto Simão, nesta terça-feira, 23, a assessoria carijó confirmou que ele não irá mesmo permanecer como um dos gestores do futebol profissional.

  Dificuldade já esperada

  O treinador Felipe Surian, ao final do jogo, concedeu entrevista e disse que o alto nível do grupo do Cruzeiro traria dificuldades ao Tupi, independente de titulares ou reservas em campo. Surian tentou mexer na equipe para a segunda etapa, mas o Tupi não conseguiu parar o líder do campeonato.

  “Sabíamos da dificuldade do jogo, mesmo com alguns dizendo que o Cruzeiro viria com time misto. A qualidade de um time misto deles é de série A de campeonato brasileiro.  Jogadores experientes, como o Tinga, que foi campeão mundial com a seleção brasileira. Então todos sabiam da dificuldade. Se nós errássemos o mínimo possível já seria difícil, e como erramos em dois lances primordiais, nos complicou, com dois erros individuais, principalmente o primeiro gol, quando a equipe ainda estava pegando ritmo e sofreu aquele gol, o que nos trouxe ainda mais dificuldade. Mas a equipe se encontrou em campo, apesar da alta qualidade do adversário. No segundo tempo, colocamos o nosso ritmo, abrimos um pouco a equipe, com a entrada de dois atacantes abertos e um meia de lateral. A gente foi pra cima, infelizmente tomamos gol no contra-ataque, mas futebol é isso. Fizemos um bom jogo, mas agora é pensar pra frente”, disse o treinador.

Acima da média

  No início da temporada, o Tupi esperava formar um time para não cair no estadual. Felipe fez questão de comentar sobre o pequeno investimento, a boa campanha e  a cobrança do torcedor.

  “Quando nos foi colocado pelo Áureo a possibilidade de trabalhar no campeonato mineiro, era montar um time para livrar do rebaixamento. Devido aos poucos recursos que tínhamos, sentei junto com a comissão técnica, procurando através de alguns parceiros, formar uma equipe competitiva, porque o Tupi nunca pode entrar em um campeonato pensando somente em não cair. Durante toda a trajetória do estadual o Tupi for forte, brigou, e até a última partida ainda tinha chance de classificação. Em nenhum momento durante o campeonato estivemos na zona de rebaixamento, nem ao menos risco. O torcedor nunca teve a preocupação de o Tupi cair para o Módulo 2. Perdemos jogos? Perdemos. Mas também vencemos muitos jogos, como o contra o Boa Esporte, que foi importantíssimo, fora de casa, que nos proporcionou dar essa arrancada no campeonato.  A gente entende que a torcida fica um pouco chateada, porque nesses últimos anos o Tupi vinha em uma crescente, sempre chegando no Mineiro entre os quatro colocados, como no ano passado, quando ficamos em terceiro lugar. Torcedor é isso, ele quer resultado, mas não entende o que foi o Tupi na Série C do ano passado. O quanto foi turbulento, o quanto foi gasto para tentar permanecer com a equipe na terceira divisão do brasileiro e não conseguiu, o que nos prejudicou um pouco para esse campeonato mineiro. Pra quem não sabe o Tupi, com jogadores, gasta apenas R$50 mil por mês, então fizemos da tripa, coração, como alguns dizem, tiramos leite de pedra, para manter o Tupi na elite. Agora é olhar o que erramos, corrigir os erros, para que o Tupi possa melhorar para a disputa da Série D” frisou o ex-jogador Carijó.

Palavra do presidente

  Áureo Fortuna, presidente do clube, preferiu exaltar o trabalho do Tupi, mesmo sem a vaga na semifinal. Com investimento reduzido, o presidente pede a colaboração do povo de Juiz de Fora e confirma que o momento é de estruturação e acordos para o restante da temporada, com a disputa da Série D.

  “Eu não acho que o Tupi tenha começado a se preparar tarde para a temporada. A comissão técnica que planejou isso tudo, no dia 4 de janeiro começamos normal, tivemos 30 dias, com os exames de jogadores contratados em dezembro ainda. Com o campeonato marcado para iniciar em fevereiro, eles entenderam que dava tempo suficiente, como deu. O problema financeiro é crônico, da maioria dos clubes brasileiros de pequeno porte. O Tupi não foge a regra, é um time simples, de orçamento extremamente limitado. Temos um calendário cheio, mais uma vez como sempre na nossa administração, sempre disputando jogos o ano inteiro. Agora é hora de fazer o balanço, é hora de mostrar para os parceiros o que foi feito com o dinheiro deles, como a gente sempre mostra. Ver se podemos ir em frente com um time melhor, ou vamos trabalhar com esse recurso limitado. Vamos chamar os parceiros, chamar o Conselho, tomar decisão. Esse ano conseguimos administrar bem as despesas, com a pequena receita que temos, o que formou equilíbrio. Mas no ano passado, deu tudo errado, por isso ainda estamos pagando caro. Precisamos de responsabilidade, limpar essa área que ainda resta e trabalhar para a Série D, quem sabe voltar para a Série C, que o Tupi tem total condição para isso. Foi um bom campeonato estadual, perdemos em casa, foi o dever de casa que deixamos de fazer. O time é bom, não deu certo, mas fizemos um belo campeonato”, destacou o presidente.

De cabeça erguida

Para Pitti, gerente de futebol do Carijó, o trabalho superou as expectativas, após um início muito corrido. Com inscrição às pressas de Paulinho e Arthur, Pitti exalta a comissão técnica, parabeniza os jogadores e também os torcedores, que levaram o Tupi ao quinto lugar da competição.

“O saldo é altamente positivo. Para um clube, que no dia 27 ou 28 de dezembro, quando reunido com o Áureo, Francis, Felipe, tinha perspectiva de fazer um time barato, que a chance de cair era imensa, conseguir fazer essa parceria, mesmo começando apenas no dia 04 de Janeiro, formamos um time com menos de um mês para estrear. Para se ter uma ideia, no dia 30 de Janeiro foi para Belo Horizonte fazer o registro dos contratos, o prazer era no dia seguinte, numa quinta-feira, dia no qual o Paulinho chegou, aproximadamente 9h30. Por telefone fomos conversando, já geramos o contrato dele, foi colocado no ônibus. No início da noite chegou para mim na capital, fui correndo na federação, coloquei o Paulinho no BID, ele conseguiu estrear. Caso semelhante ao do Arthur, que também chegou em cima da hora. Com certeza os torcedores do Tupi ainda estejam lamentando aquele acidente sobrenatural do jogo contra o Araxá. Mas me pergunto o seguinte: será que se tivéssemos vencido com aquela facilidade o Araxá, ganharíamos do Tombense depois? Hoje poderíamos ter jogado sem nem chances de ir para o quadrangular. O futebol dá muitas voltas. O trabalho da comissão é de se parabenizar. Parabéns ao torcedor, que incentivou do primeiro ao último minuto. Vi uma equipe lutando, uma equipe guerreira, com algumas deficiências, por conta do nosso orçamento, que não nos permitiu ter talvez mais dois ou três jogadores mais experientes, mais rodados. Mas acho que o torcedor do Tupi tem que estar orgulhoso do time, pelo que os jogadores fizeram durante o campeonato inteiro. O Tupi sai de cabeça erguida com esse quinto lugar no Mineiro”, contou Pitti.

O clube de Santa Terezinha só entra em campo em partida oficial no dia 02 de Junho, pelo início da quarta divisão com campeonato brasileiro.

Texto: Igor Rodrigues

Fotos: Vania Mathiazi e Rodrigo Tagliate

Ivan Elias

Ivan Elias, associado do Panathlon Club de Juiz de Fora, é jornalista, formado em Comunicação Social pela UFJF. Trabalhou por mais de 11 anos no Sistema Solar de Comunicação (Rádio Solar e jornal Tribuna de Minas), em Juiz de Fora. Participou de centenas de transmissões esportivas ao vivo (futebol, vôlei, etc). Apresentou diversos programas de esporte e de humor, incluindo a criação de personagens. Já foi freelancer da Folha de S. Paulo, atuou como produtor de matérias de TV e em 2007 e 2008 “defendeu” o Tupi, na Bancada Democrática do Alterosa Esporte, da TV Alterosa (SBT-Minas). Criou, em 2010, ao lado de Mônica Valentim, o então blog Toque de Bola que hoje é Portal, aplicativo, Spotify, Canal no Youtube e está no Twitter, Instagram e Facebook, formando a maior vitrine de exposição do esporte local É filiado à Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) e Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace).

Este post tem 2 comentários

Deixe um comentário