O destino é caprichoso.
No mesmo horário (de Brasília), no domingo, dia 12 de janeiro de 2025, a TV nos mostrava dois cenários:
– final da Supercopa da Espanha: Real Madri x Barcelona, público de 63 mil torcedores na Arábia Saudita.
– primeira rodada do Campeonato Carioca: Flamengo x Boavista, menos de 4 mil pagantes em Aracaju, Sergipe.
Calma. Não precisa xingar, pelo menos não antes da hora. Claro que não estamos comparando nem as competições nem as equipes envolvidas.

Como jogam dinheiro fora!
Ocorre que neste mundo surreal do (em tese) futebol profissional, em que um reserva do Palmeiras (Rony) tem vencimentos mensais de R$ 1 milhão, a observação é a seguinte: como os clubes brasileiros se dão ao luxo de jogar dinheiro fora com tanta facilidade?
Sabemos que o calendário foi antecipado, que os principais clubes do Rio estão começando com reservas e moçada da base e que os seus adversários locais e regionais não atraem torcida fora do eixo fluminense e que o Maracanã está em sua milionésima reforma.
Se já sabiam, por que não se mexeram?
Mas se os dirigentes também sabiam que a temporada seria antecipada, por que então não pensaram em situação mais atrativa para este período em que os titulares ainda estão recuperando a forma?
Venderam os direitos para a TV e canais de Youtube e streaming. Lógico, vai render um dinheiro. Mas o abandono em que os grandes clubes do Rio – todos – entregam esta fase inicial da temporada chama a atenção. Não poderiam juntar alguma atração do carnaval do Rio, de alguma forma, aproveitando o turismo? Fazer promoções reais e atraentes, antes ou nos intervalos das partidas?
“Se puder, não assista”
Os clubes, na prática, estão abrindo mão de receita, deixando de faturar, atirando no ralo quatro ou cinco partidas. O recado que deixam para o torcedor parece ser “se puder, não assista. Para nós, cartolas, está tudo bem mandar a campo este bando vestindo a camisa do clube”.
Então, beleza. O mínimo que deveriam fazer é não cobrar ingresso. A qualidade dos jogos? “Está até doendo a vista”, resumiu, com extraordinário poder de síntese, um torcedor em reportagem da ESPN.
Onze da manhã em Ubá?
E no glorioso Campeonato Mineiro, em que já vimos, sim, ótimas equipes, inclusive do falecido futebol juiz-forano, a primeira rodada foi um primor de bom senso: Aymorés e remendo de Atlético (o principal está nos Estados Unidos) jogaram às onze horas da manhã no calor de Ubá!!!
Aguardando os próximos episódios da série “Como destruir os estaduais”.
De 12 de janeiro até agora, já dá para “maratonar” fácil.
Texto: Ivan Elias – Toque de Bola
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